sábado, 26 de Setembro de 2009

As cores do Porto

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Agora, os meus trajectos são mais urbanos.
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Tento habituar-me às ruas e às praças, enquanto ouço os ruídos da cidade, nas curtas distâncias percorridas.
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Páro nas montras das lojas. Compro fruta no caminho. Cruzo-me com rostos que há muito tempo não via.
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[E sinto-me estrangeira, na minha cidade...]
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quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Um regresso...

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Houve tempos, em que o mês de Setembro era uma espera ansiosa por dias renovados.
Agora, Setembro tem um cheiro lunar de apreensão e alguma melancolia...
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É o regresso a casa, para valer!
O sol não vai alto. O fim de tarde é mais cedo. A noite chega, para ficar mais tempo.
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Arrumo os vestígios de um ano de trabalho, que passou.
Abro páginas de ficheiros novos, para o próximo...
Apago e substituo o símbolo da Escola...
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[Nesta operação silenciosa, de regresso, sinto a falta de sorrisos cúmplices que deixei noutro lugar... Reconheço, não sem uma certa consternação, que tudo é tão perto, agora!...]
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sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Cavalo e Cavaleiro...

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[... porque o sonho também é abstracção...]
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sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Janelas do Porto [continuação]...

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[Janelas fechadas. Janelas abertas. Porto.]
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segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Nuvens nas janelas...

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Vou andando pela cidade.
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[As nuvens parecem brancas. Espelham-se nas janelas em ilusão urbana. Enquadradas...]
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domingo, 12 de Julho de 2009

Quando mudar é regressar...

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Foi nesta Escola, cheia de árvores e jardins relvados, que acabei o ensino secundário.
Aliás, todos os irmãos, por lá passaram.
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No meu último ano, como aluna, atravessava esta alameda, várias vezes ao dia.
Para além do Laboratório de Física e Química, do Ginásio e do Campo de Jogos, a sala de aulas, que partilhei com 18 colegas de curso, ficava do lado esquerdo... [Mais precisamente, na terceira porta].
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Fazíamos o percurso a pé. Era perto de casa da família.
[Quando chovia, procurávamos o carro do meu pai, que esperava por nós. Acho que nem usávamos guarda-chuva...]
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Foi numa manhã, diferente de todas as outras, que aqui vivemos o 25 de Abril. E vivemos muitos outros dias, sempre diferentes e únicos.
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Depois de tantos anos, é nesta Escola que passarei os próximos, como professora.
Para trás, ficará uma Escola com vista para o mar...
Nesta mudança, pouco distante da minha casa, sinto um regresso estranho [mas, um regresso, sem dúvida!].
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A Sala de Professores mudou de lugar [ou de nome...].
Era o espaço da minha sala de aula, no primeiro dia em que cheguei... agora, reconvertida noutra coisa.
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[Mudanças e regressos... duas circunstâncias que não me são familiares. Normalmente, não regresso. Fecho a porta e devolvo as chaves... O esquecimento é para ganhar espaço de memória!]
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sábado, 4 de Julho de 2009

Verde nocturno...

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Por detrás do biombo de bambus, corria a festa, ou o que a dizia…
Esgotei a paciência, a minha, sem vontade de estar ou de ficar.
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Assim, escondo os olhos, num gesto de tédio... sincero!
[disfarçado de atenção mais genuina...]
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Fotografo o meu colo, o chão, uma sombra… um biombo de bambus…
[e agradeço-me, a sempre lembrança, de levar a máquina, na mochila].
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Tenho, de muitas festas e de encontros, fotos de pequenos nadas... silenciosos, assim!
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[Regresso, das festivas horas, sem palavras!...]
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sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Escadas de tília...

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Agora, deslocando-se ao sabor da brisa citadina, as folhas de tília vestem o chão, a meus pés.
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A árvore de tília, de que me lembro, tinha uma copa escondida, para lá da latada de uvas brancas, num jardim suspenso, como suspensa ficou, para sempre, a minha infância.
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Quando o baloiço subia, elevava-se o corpo, transcendia-se a coragem e a ousadia... Então, em breves eternidades, a cabeça rompia os limites do jardim [e do visível]...
Com os olhos abertos, para os contornos da luz quente do fim do estio, a copa redonda e imensa revelava-se [triunfal!], na divisão dos mundos!...
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[Saudades de jardins suspensos da babilónica infância... da sentida ascese ao mundo das crianças, enquanto o avô, a madrinha e os pais, descansavam em cadeiras de lona, reclinadas, em trocas de palavras mansas.]
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sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Das palavras e das texturas...

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À procura das palavras, como cascas de árvores velhas, troncos de texturas que as descrevem...
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[...]
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sábado, 6 de Junho de 2009

Uma tarde azul...

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Os alunos jogaram voleibol de praia, soltos e contentes.
Nós as duas, professoras, continuámos a trabalhar.
Preparou-se a auto-avaliação e recebi a papelada da renovação das matrículas...
Foi um princípio de tarde azul, junto ao mar, no terminar de um ano de aulas, enquanto o Verão se anuncia...
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[A ideia? Foi dos alunos! Fomos lá ter, depois de autorizada a nossa saída.]
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quinta-feira, 28 de Maio de 2009

As cores dos meus percursos...

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Para lá deste muro, corre a paisagem... ao meu lado.
Este ano, não há campos de milho.
Há campos de ervas verdes... pintalgados de brancas flores silvestres.
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[E tantas outras cores nas minhas viagens!... ]
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domingo, 10 de Maio de 2009

Lua...

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Mais ou menos, assim, foi como a vi.
Perdi-a, dois quilómetros mais à frente, depois de uma ultrapassagem.
Apareceu-me, de novo, meia escondida por uma nuvem...
Misteriosa e discreta, como só a Lua sabe ser!...
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[... tão cheia, que nem coube em mim!... peguei no telemóvel: dividi-a.]
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sábado, 25 de Abril de 2009

Ref.: Vermelho 25 [Abril.74]

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Vermelho 25 [Abril de 74]
Tive a sorte de viver a adolescência no desabrochar de uma Revolução de Cravos!
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[Carnation... cor da carne, em chama de liberdade!]
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quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Por um quarto de hora...

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Tenho-me expressado por aforismos, nem sempre com eloquência e convicção.
Talvez tente esconder a falta de tempo… de assunto… de vontade…
Os dias passam-se entre Porto-Póvoa-Porto-Póvoa-Porto-Póvoa
Nem sempre, sei qual a direcção das minhas viagens e permanências.
A minha casa e as pessoas que a habitam ditarão o sentido do início e do fim destas viagens.
De segunda a sexta, a quase totalidade do meu estado de vigília é passada na Escola. Os meus sonhos cansam-me as noites, disparatados, referenciados a corredores apertados, a monoblocos abafados, a obras que nunca mais acabam...
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Quantas vezes, na chegada, procuro o silêncio de um sono profundo, apenas!...
Cansam-me as pessoas e as palavras [… e como parecem gastar-se, demais, para se esbanjarem com tão pouca parcimónia!...].
Sem qualquer tranquilidade, aguardo o fim das aulas, tal como os alunos e, quem sabe, a mudança para outra Escola, mais perto de casa…
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Com a preocupação de cumprir planificações anuais, que não contemplam imponderáveis e imprevistos, as aulas tornam-se maçudas para alunos e professores. Sem querer generalizar e sem pensar em todas as tarefas que continuamos a inventar, para nos complicar os dias, parece que não há tempo para outras dimensões do espaço e do tempo das aulas.
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No entanto, hoje… passada que foi mais uma quarta-feira, depois da apresentação de um dos trabalhos de grupo de uma turma de 12º ano [daquelas que chamamos atípicas, na esperança de não apanharmos, tão cedo, outra igual!], sobrou algum tempo de aula.
Não tinha previsto que acabassem tão cedo. Não tinha pensado nos habituais “Planos B”, que me livram de embaraços deste tipo, talvez por andar tão cansada, ou por não esperar dos alunos um desempenho tão eficiente?
Lembrei-me de perguntar, a todos [ainda sentada nas carteiras do fundo da sala, as mais pretendidas, sempre…], se o trabalho que tinham apresentado teria alterado, de forma positiva e importante, as opiniões pessoais quanto ao tema…, se tinham gostado de o fazer e de o apresentar…, o que é que tinha mudado, se é que tinha mudado alguma coisa…
Não deixei de pensar que estaria a arriscar um fim de aula turbulento, sem regras estabelecidas, a deixar-lhes todo o espaço para as palhaçadas do costume, a acabar mais uma aula com uma voz de comando [que nem me fica bem!… como diria alguém que eu conheci há muito tempo…] mas, da qual tenho abusado, nos últimos meses...
Pois, ainda bem que arrisquei. Das respostas deles e da minha atenção, ainda sentados do mesmo lado da sala, foram partilhadas expectativas, sonhos e apreensões, quanto aos dias que virão, depois de deixarem esta Escola. Para estes alunos, ela foi o cenário da maior parte das suas horas de vigília, também...
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Quase não ouvimos o toque da saída. Arrumámos as mochilas e os sacos. Saímos quase silenciosos. Percorremos o corredor estreito, entre os monoblocos [que, afinal, não foram tão provisórios, assim…], lado a lado.
Acho que nunca o fizemos, desta maneira. Senti a solenidade do momento. Por um quarto de hora, nem que tenha sido, apenas, por um quarto de hora, fomos a turma perfeita – alunos e professora.
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[Sei que é este instante que vou querer recordar. O instante quase mágico com a única turma finalista do Curso Tecnológico de Desporto de 2008/2009…]
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