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domingo, 2 de março de 2014

Quando acorda...



Quando acorda, o levantar mede forças com o cansaço. Por vezes ganha. Ainda se lembra dos sonhos, quase sempre. No entanto, não são os sonhos-epopeia em que voava sobre as casas e os montes, ou passeava com vestidos compridos de flores azuis minúsculas, por entre alamedas de árvores gigantes, ou à beira-mar. O voo é cada vez mais raro.

Agora, os sonhos perpetuam banalidades dos dias que passam, com pequenos picos de heroicidade de somenos importância, como se justificassem o facto incontestável de viver, um dia de cada vez.

O último sonho tinha lugar numa sala de aula ampla e pintada de branco, sem as manchas de bolor e os ressoados do costume. Os alunos eram perspicazes e levantavam questões demasiado pertinentes, que a levaram, de imediato, a concluir a certeza do sonho e do seu término, a contragosto.

Quando acorda, implica com o cabelo. Com o corpo, é mais depois do banho. Não há Pilates que o salve, que o revitalize, que o devolva!

Arrogante, não se congratula com a visão dos dois seios e dos mamilos no sítio esperado. Outras mulheres, que conhece, não recebem idêntico reflexo matinal.

Olha para a balança, mas sabe que não precisa de testá-la. O peso desceu consideravelmente com o final do tédio das últimas férias de verão, acompanhado da consciência súbita da inevitável repetição dos anos letivos futuros.

Pensa cada vez mais na palavra i n e v i t á v e l, com as respetivas contextualizações e aplicações quotidianas. E pensa que é capaz de ser isto o envelhecer, mesmo sem precisar de pintar o cabelo, mesmo sem ter grandes rugas no rosto. Apenas no pescoço (que não engana).

Treina expressões faciais ao espelho, enquanto seca os caracóis frisados no cabeleireiro, que teimam em jamais obedecer à ondulação desejada. Treina as expressões que julga serem as mais comuns, depois ensaia duas ou três poses para eventuais e raras fotografias. E despede-se.


Depois de vestida, sempre com roupa a mais, sem grande vontade, desce ao andar de baixo, para perceber que se esqueceu dos óculos, ou do relógio no andar de cima e voltar a subir as escadas com a agilidade falsa que faz de conta que ainda tem.

A agenda está sempre em atraso. Tudo parece demorar eternidades. Nunca foi perfecionista, embora lhe encontrem essa qualidade omissa. Por isso, não se atreve a pensar que está a ficar mais exigente consigo própria.

Entretanto, o corpo diz-lhe, sem piedade, que está cheia de sono e prepara outro café com leite de arroz. Acompanha-o com um cigarro fumado debaixo do exaustor. Dizem-lhe que vai morrer disso. Não liga e fuma outro. Miligramas: nicotina 0,1, monóxido de carbono 1, alcatrão 1. Nos mínimos.

Não deixará de fumar, que isso sabe. Substancialmente, nada de desagradável deixaria de o ser. Precisa da paragem quase meditativa do gesto, que corta o tédio fundamental dos dias.

Acordada, porque é acordada que faz toda a diferença, supostamente, continua a sonhar que nunca chegou a casar-se [duas vezes e a ter um filho] e que ainda irá viver em África. África Negra. Onde? pouco importa, porque embora não fale nenhum dialeto, pensa e escreve fluentemente em inglês e fala bem francês.

[Aí, sim. Correria com o vestido de flores azuis minúsculas, até aos pés, cortado acima da cintura: sem alamedas e sem destino, com uma dúzia de autóctones ao lado dela. Não atrás. Nunca atrás.]


Fev.2014

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O vento...



este vento que agora sopra e uiva
é tão diferente

traz com ele o peso da chuva
coisa pegajosa que pinta o dia
arrefece a noite dentro da cama

não ondula nem dança
brincando a festa
trazendo sol e azul

é um soprar sombrio
cheira a salas com mofo
fechadas e escuras
como se diz: o inverno


sim
este é um vento diferente
de humores e cheiros passados
que pareciam esquecidos

[...]

reaparecem a pingar cinzento
instalam-se a reclamar o frio


C.

foto: net

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Aquário...

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Quarta-feira de peixe morto, num aquário limpo e asséptico.
Dias de enxaqueca, mais uma vez, para que não esqueça. Para que nunca esqueça [como se tal devaneio fosse possível...]!
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E as horas passaram, pasmadas e perdidas, não como todas passam.
Hoje foi dia de saltar do aquário para a cama e da cama para os redondos comprimidos que tornam as águas límpidas [mas o peixe turvo, por dentro e por fora].
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domingo, 25 de setembro de 2011

Tempo de Falta de Tempo...

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Chegou o tempo de pensar na falta que me faz o tempo...
Tempo de calçar meias nos pés
Tempo de chegar cansada a casa
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Tempo de Escola
Tempo de não perder tempo
Tempo de não ter tempo
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E sinto saudades das pequenas irrelevâncias que se apanham no chão e de brincar com elas nas minhas mãos, sem pressa.
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Sinto saudades do Agosto interrompido e, mesmo assim, Agosto e Verão!...
Também recordo o livro que ficou a meio e ficará... [assim, que eu sei.]
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Continuo zangada com ele: avaro, como sempre!
Há zangas que duram uma vida inteira...
[enquanto o tempo passa e eu fico mais velha.]
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Foto tirada por JC, no Jardim Botânico, princípio de Setembro de 2011
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

A capa da minha agenda...

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de um ano lectivo que nunca mais acaba
terei saudades da capa da minha agenda
da foto do meu filho, também
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acompanhou-me nos dias mais solitários
entre o desejo de voar para Budapeste
e o desespero do trabalho insano
que me fez ficar
que aumentou a distância
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não tenho saudades de mais nada
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continuo a ver os alunos
caras sorridentes em jeito de consolo
que  não me consola
continuo a encontrá-los pela escola
e continuo cansada
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ainda não se vislumbra
a póxima agenda
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hei-de fazê-la
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na esperança de não precisar
da foto do meu filho
noutro ano lectivo com saudades
apenas
da capa da minha agenda
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[...]

sábado, 13 de setembro de 2008

O meu Trisavô... da genealogia à ficção

Retrato de Afonso Costa
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Quando penso no meu trisavô, à falta de fotografias da época, é este rosto que se perfila perante os meus olhos.
Imagino que não seriam dois homens, fisicamente, muito diferentes. Conta-se que não. E, certo é, que foram amigos.
Também se conta que, o dono deste rosto, foi convidado pelo meu trisavô a visitar o seu “retiro rural”, depois das lutas republicanas e das cumplicidades dos tempos da Carbonária. Uma visita inesquecível, que ficou na memória de todos, até dos que não a viveram, como a minha avó, que não era nascida.
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Pois saberia o Afonso Costa montar a cavalo? Será que o meu trisavô o levou a ver a sua herança rural? Será que chegaram juntos ao ponto mais alto da aldeia e, montado na sua égua branca, apontando-lhe, desinteressado, a vastidão das terras, lhe terá contado as suas desventuras de proprietário, ex revolucionário, convertido à modorra do casamento e da ruralidade [imagino que, com um tom jocoso na voz, para não denunciar o tédio imenso… pior ainda, para não denunciar os olhos húmidos?].
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Ou o Afonso Costa não sabia montar e passearam pela aldeia e suas imediações, em ostentação mais que visível, na travessia do adro da Igreja [o padre enfiado na sacristia a espumar de raiva…].
Pararam para beber um copo de vinho, bem tinto, para comer broa com presunto ou sardinhas secas e fritas, em casa deste e daquele… [o meu trisavô orgulhoso... por mostrar o grande Afonso Costa e seu amigo, de lutas que pertenciam a um passado, que ele sabia, tinha acabado no dia em que ali chegara].
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A minha trisavó teria acolhido a ilustre personalidade, pois que não teve outro remédio! Mas, a benzer-se, de cada vez que ia à cozinha dar indicações sobre o que viria para a mesa.
Recebera-o com tanta educação e esmero, quantos foram os terços que rezou, de cada vez que a deixavam sozinha.
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Depois do episódio da visita do Afonso Costa àquela aldeia, com o rio Zêzere a seus pés, quantas terão sido as confissões e as penitências, bem penosas, que o padre lhe ordenou? Aquelas que a minha trisavó acreditou serem merecidas?
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Depois do regresso do amigo à capital, nas poucas horas que se lhe seguiram, em que pensou o meu trisavô? Revoltou-se, para se conter, depois? Resignou-se, não sem conter os olhos húmidos de tristeza, a que chamou ira e ódio, porque um homem não se comove e, muito menos, chora?
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Talvez tenha sido, precisamente nesse dia, que não voltou pela calçada que o conduzia a casa, inevitavelmente e sempre, mesmo desrespeitando as horas e os hábitos [que, só lhe faltava ter que obedecer ao tempo das obrigações diárias do sino da Igreja!].
Nesse mesmo dia, talvez tenha decidido enveredar pelo caminho enlameado, que havia de o conduzir, tantas vezes mais, à porta desengonçada e velha, daquela que foi a sua amante predilecta [da que ficou conhecida, nos anais da família, como a Gata Gulosa…].
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[Depois… não voltou para casa antes de ser manhã feita. Cavalgou algumas horas pelas sombras dos montes e pelas margens do rio. E pensou em Lisboa… e deixou de pensar, porque lhe doía a cabeça e tinha um nó no estômago, apertado demais.]
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Foto de Afonso Costa, In Enciclopédia Lello e Irmão,

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A cor das horas...


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Hoje, resolvi passar por casa da minha mãe [descobri, há pouco tempo, que é leitora assídua deste blog…], porque talvez não venha a ter muitas tardes, assim, para conversarmos e comprovar que está bem e continua dona do seu nariz…
[Certamente, também a preocupei, a ela… como devo ter preocupado aqueles amigos virtuais que me deixam comentários apreensivos e/ou sensatos.]
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Aproveitámos para comparar notas e relembrar conversas, que ouvi nos idos de Setembros passados na Beira, sobre o meu trisavô… sobre a minha avó materna… sobre outros tempos que sempre me intrigaram.
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A maior parte das lembranças dessas conversas estão associadas ao colo da minha mãe, que aproveitava o final das tardes mornas para relembrar [também ela] as suas raízes, junto das mulheres mais velhas da aldeia, sentadas nas lajes graníticas, ainda quentes, das soleiras das portas da vizinhança amiga.
Eu fazia de conta que dormia a sesta de criança pequena, que era, e fingia a respiração pesada, de quem dorme um sono profundo [conseguindo não mexer a mão onde pousava uma mosca teimosa…].
Eram dois prazeres que não se esquecem. Um colo que nem sempre tinha no resto do ano, só para mim…e as conversas veladas sobre assuntos da minha família, que pareciam contos fantásticos e que eu não poderia ouvir, estando acordada…
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Outras lembranças vêm dos passeios ao lado da minha avó, pelas propriedades da família, que foram sendo vendidas ao longo dos anos, não tendo conhecido, eu, aquelas que foram o orgulho do meu trisavô. Apesar da minha avó não ser mulher de muitas palavras [por vezes, parecia falar sozinha], acrescentava algumas peças ao puzzle que fui construindo, ao longo do tempo [nos primeiros oito anos e meio da minha infância, que sempre me pareceram tão breves!…].
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Hoje, com a ajuda da minha mãe, descobri que esse puzzle tem muito de ficção... o que não lhe retira o encantamento que sempre me cativou… e que, nas minhas memórias de criança, os nomes e as personas se confundiram de uma forma bizarra, mas verosímil…
Desenhei a casa da minha avó e as imediações, tal como ambas a recordávamos… revimos nomes de companheiras das conversas vespertinas…reconstruímos um pouco da árvore genealógica daquele lado da família… e esquecemo-nos das horas [mesmo que estas não tenham as mesmas cores, para uma e para a outra…].
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E, apesar de sabermos, as duas, que sobre estas personas haverá de pairar, sempre, uma aura de mistério, que o tempo guardará… dedico este post à minha mãe [que nunca os comenta, mas os lê… e acredita que as palavras têm um poder de salvação…].
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Foto não tão recente, pormenor da sala da casa materna

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Alt + Ctrl + Del



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Alt + Ctrl + Del... 3 teclas de uma só vez, apenas.
Olhos fechados, no escuro do visor. Dor de cabeça em off...
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Neurosilêncio. Existe?
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[..................................................]
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Foto de Luís Paulo Rocha, in olhares.com

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Antecipações de uma Sombra...


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[Dos factos…]
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Ontem, vim da Escola numa espécie de estado de choque [não devo ter sido a única…].
Voltarei, amanhã, para o início dos meus [nossos] trabalhos…
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As árvores e os jardins, que me deleitei a fotografar, durante um ano, de quatro estações [das raras âncoras que me prenderam o ânimo], estão afundados em contentores, futuras salas de aula… e reina a demolição.
Porque haverá pouco espaço, muito barulho de obras e… tudo o que por aí virá, não trouxe um horário, mas trouxe um esboço de uma mancha horária, que presumo ser o resultado para evitar horários mistos e ajuntamentos… Assim, mantenho as turmas dos cursos tecnológicos e experimento, pela primeira vez, uma disciplina híbrida num curso profissional. Perdi uma turma que terá aulas de manhã…
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[Para além dos factos…]
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Não sou, certamente, uma optimista… a longa manhã de ontem serviu para o comprovar. Apesar de não me poder queixar da rotina de mais um ano, não era bem este tipo de mudança que me faria querer continuar.
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É certo que tinha dormido pouco… enganei-me com o despertador e acordei de madrugada [vou ter que me habituar, de novo, a este objecto execrável…]. Dei várias voltas ao quarteirão para conseguir estacionar o carro, porque o parque deixou de existir, obviamente, antecipando cenários futuros e similares…
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Hesito na vontade de voltar… Hesito. Este verbo persegue este meu retorno à Escola. Não fossem os alunos, concretos e singulares… e… a memória do ano passado não passaria de um ano fantasma [em que me senti uma sombra atrás de mim, muitas vezes à minha frente, a ditar-me o trajecto e a forçar-me a trabalhar, lá e aqui, em casa, contra o tempo, de costas viradas para o lugar, com o nariz enfiado no portátil, sempre em posição trípede!...].
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E essa sensação transmigrou para todas as outras dimensões de um quotidiano patético, que não me apetece repetir.
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[De momento, não sinto qualquer lucidez, que me permita pensar em estratégias sensatas, que me impeçam de voltar a olhar-me, assim, difusamente… cada vez a reconhecer-me menos, no pouco tempo que me sobra para mim, porque já sinto que não sobra … e volto a ver a minha sombra a tocar-me no ombro e a puxar-me… um destes dias, a falar por mim…]
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Do dormir e do acordar...


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De que vale acordar cedo?
Ainda em época de interregno de férias, acorda-se para um pequeno-almoço... para um banho e roupa lavada... para mais um dia [mais mal ou bem humorado... mais mal ou bem passado].
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Não sei se foi ontem, se foi anteontem... que passei pela antiga Baixa portuense, a pé.
Há pessoas que devem achar que não vale a pena acordar... mas lá estão, de mão estendida, com longas mensagens escritas em cartões, como no tempo em que eu era miúda e passava pela Baixa portuense, menos antiga [por razões da minha pouca idade, na altura]. Ficava para trás, para tentar ler... Alguém me puxava pelo braço, com um esticão, depois de deixar uma moeda, porque a miséria alheia não se contempla, que é falta de educação!...
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Em tão poucos anos [afinal], o passado revive-se no presente, nestes rostos estranhos...
As trajectórias, dos que passeiam pelas ruas, tendem a esquivar-se e muda-se a declinação da passada.
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[Ainda tento ler. Ainda alguém me puxa, pelo braço, porque me esqueço de declinar a passada. Por outras palavras, o que lá está escrito, com erros ortográficos, tinta desbotada e retocada, podia ser a pergunta - Vale a pena acordar?...]
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Foto de Carlos, in olhares.com

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

De certas paragens...


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Muito a medo, sem mexer demais a cabeça… a dor é, ainda, recordação recente.
Medo futuro… inseparável inevitabilidade…
Anuncia-se. Instala-se. Vai.
E voltará.
É sempre uma questão de tempo. Desde os tempos que me conheço…
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Entre a revolta, sempre… e o silêncio triste… mora tempo perdido, quase morto.
Aceita-se o que não parece ter remédio [porque ao ser, assim, remediado está… paragem que não se deseja… dormência que faz parar… quando se pode…].
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[Hoje recomeça-se, devagar… ânimo preso… asa caída… dorida.]



com filtro de nightshot, foto nocturna
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sábado, 23 de agosto de 2008

Como o céu...




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E, porque está sol, neste acordar de sábado de manhã, apetece falar do céu azul e de como mudam as pequenas nuvens, quando não são de ameaçadora chuva.
Azul e farrapos de branco que se reconstroem em alguns segundos, enquanto se prepara a máquina fotográfica para uma nova foto… em movimentos descansados.
Aí, dou-me conta, de que parece ser este o sentido da palavra férias.
Calmamente, observa-se. [Calmamente… sem pressa… sem um propósito qualquer…]
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Reconcilio-me com o tempo. Não preciso de o contar, não o quero controlar. O que aparece, acontece[-me].
O céu é azul e tem pequenas nuvens brancas, que mudam velozmente, como se fossem elas a preocupar-se com o tempo que passa. Redesenham-se apressadas, sob o meu olhar [parecem dizer: este desenho é para ti!].
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O propósito não é meu. As horas não me pertencem.
Não procuro mais, para além do azul do céu… e há uma certa sensação de liberdade [episódica, pouco importa…], neste contentar-me em não ter que pensar no que se passa aqui, aos meus pés, onde estes pousam, por onde andam, com quem partilham o mesmo chão.
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Ainda que pouco tempo dure, ó episódica e ilusória liberdade, acontece[-me]!…
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[Por instantes, esta breve reconciliação parece redentora. Limpa outras nuvens negras de um ano inteiro, em desenhos frágeis e efémeros, que me apetece acreditar, que só eu vi…]
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Passagens [3]


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Sentada na mesa, a tomar o pequeno-almoço, o comboio passa a uns metros de mim e do vidro da janela grande. O chão treme. [Alguém diz adeus... por vezes.]
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.Segue o primeiro, em direcção a Valença.
Segue o segundo, em direcção ao Porto.
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Os comboios lembram-me viagens.
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[No entanto, permaneço. Fotografo. Ouço, de novo, o silêncio da linha e da casa. Porque, nem tudo se passou lá fora...]
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Agosto V.N. Cerveira, exterior da Casa do Artista

Passagens [2]







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Subir...
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Encontrar!
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Descer...
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[Descoberta. Silêncio. Passagem...]
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Agosto em V.N. cerveira, exterior da Casa do Artista

Passagens [1]



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De cá para lá...
De lá para cá...
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Do sol para a sombra...
Da sombra para o sol...
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[Permanência. Deslocação. Passagem...]
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Agosto V.N. Cerveira, exterior da Casa do Artista

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Da arrumação dos regressos…



[Noite]
[Manhã]
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Balbuciantes palavras, estas minhas…
Não é que não tenha escrito, durante estes dias, fora do Porto… Mas, foi um processo solitário, de manhãs roubadas, dentro de casa, onde o frio predominou, com aparições de chuva, sobretudo matinais.
O acordar foi sempre cedo, porque havia frio e humidade e demasiada luz a entrar no quarto… [Ainda bem, que a minha condição e reputação de friorenta, me fez levar camisolas de lã e calçado quente… duas tardes de sol, mais ou menos forte, foram um presente inesperado e gratificante…]
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Não é que não tenha falado, já que, no resto do dia estive sempre acompanhada.
Era um grupo, razoavelmente, grande e falar seria esperado… E trocar ideias…
Mas, nem tanto… As pessoas trocam, cada vez menos, umas com as outras. Ou, porque não têm grande coisa para trocar, ou porque não lhes apetece… [para não comentar a qualidade da troca, que é sempre subjectiva e, quem sou eu, para julgar os outros?].
Em certos contextos, há tendências que não parece valer a pena contrariar.
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Vence o monólogo, ou o silêncio, que terão as suas potencialidades, não sei… Não tenho grandes certezas quanto a isso. [Apenas sei, que tento contrariá-los quando dou aulas. Não tenho que o fazer quando estou de férias, embora a deformação profissional, ainda, me tenha sido apontada. Aí, calei-me, definitivamente]. E calar-me-ei, de futuro, em idênticas circunstâncias. Fica aquela sensação pobre, de estar a perder tempo, que eu não gosto de sentir, mesmo em férias…
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Que não se tratou bem de férias… mas, de trabalho. Quanto a isso, não há grande coisa a dizer, a não ser que correu bem. Pena é, que os últimos dias sejam, sempre, tão cansativos e nos façam regressar com a sensação de que quase adoecemos… e sem grande vontade de voltar a abandonar o ninho. Ficam os voos adiados, ou modificam-se as trajectórias… sonha-se em casa… escreve-se em casa… rondam-se lugares mais próximos…
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Mas, gostei desta semana, apesar da sensação da arrumação dos regressos [arrumação das malas e do seu conteúdo, arrumação das ideias que se construíram e da lembrança de algumas pessoas que, inevitavelmente, deixam a sua boa marca].
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Mesmo assim, ainda balbuciantes, as palavras teimam em enrolar-se. Teimam em não ser uma composição coerente… Ainda, sinto os lugares sobrepostos e a mente repartida.
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[Amanhã. Talvez amanhã… Amanhã acordarei cedo e verei o lugar onde a mente pousa. Depois… quem sabe, um pequeno voo, nem que seja virtual!...]
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Agosto em V.N. cerveira, Foto 1 e 2 casa do artista Foto 3 tarde de sol

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Saudades de um "menino" grande...


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Boas férias para o meu filho, de quem já sinto saudades...
Apesar de saber, que está onde quer estar, que está bem acompanhado, que não lhe faltará nada [a não ser o sol...], não deixo de sentir saudades.
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Também irei arrumar as nossas malas, para seguir na direcção oposta, metáfora do crescimento dos filhos e do largar amarras... sem deixar de gostar... sem deixar de querer... sem deixar de sentir...
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[Retemperados virão, espero, mais morenos e saudáveis, também... prontos para mais um ano de trabalho e incógnitas, porque, estar a caminho da idade adulta, não é nada fácil, mesmo se os adultos signficativos estão por perto... porque a vida deles nunca foi, realmente, nossa... e nunca tive essa pretensão...]
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Fotos não tão recentes do meu filho

E a chuva continua...




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À medida que as horas passavam a chuva insistia em cair, em bátegas cada vez mais fortes.
Gosto de andar à chuva, de carro, ao lado do condutor, claro. [Privilégio de quem, ainda, pode e tem como se deslocar, assim, mesmo em dias de chuva...]
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Parece que tudo fica filtrado por um véu pardacento, mas... que não deixa de ter o seu encanto.
Pena que seja em Agosto, em vésperas de viagem, para o norte...
Pena que seja em Agosto, quando a minha prole [bastante autónoma], acabou de se instalar, mais a sul, para fazer uns dias de praia...
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Tirando o Agosto, até que saberia bem... a cidade fica mais limpa [o lixo escorre para o rio Douro, que o levará até ao mar, que o trará às praias..., sem qualquer intervenção da autarquia, diga-se.].
O ar, desanuviado, torna-se mais respirável...
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[E mais uns assuntos tratados... que não podiam ser adiados... Finalmente, estão resolvidos. Férias produtivas, estas minhas férias... quem diria?... Só não sei, se esta chuva de Agosto, fará bem às uvas? Não é que tenha quintas no Douro, mas lembrei-me da pequena latada do meu avô paterno, há muito perdida, no tempo, e preocupei-me... em vão. Também pensei nas vinhas de uma agricultura, ainda de subsistência, escondida e camuflada... e preocupei-me... também, em vão, muito provavelmente!]
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Fotos tiradas no carro em andamento, rotunda junto ao Castelo do Queijo

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sem título... agora.

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Com tanto zoom, era esperado ver o movimento dos marinheiros sobre o convés...
Mas não. Apenas as luzes de um final de tarde [como sempre ventoso e húmido], nas praias do norte, perto do Porto.
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E um pormenor insólito, a que nenhum de nós resistiu e captou, abanando ao vento norte... de nortada.
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[Aconteceu no tempo em que se filmava, em que fazíamos pequenos filmes experimentais e tirávamos alguns prazeres dessa actividade... morosa... a dois.]
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Frames de takes de 2001, Perto do farol da Boa Nova

domingo, 10 de agosto de 2008

De certa maneira... a china, aqui tão perto...


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Num dos nossos regressos ao Porto, de uns poucos dias, durante este mês de Agosto, em que estivemos fora, passámos pelo supermercado para comprar aquelas pequenas coisas, que não se deixam ficar e dá jeito ter em casa, tais como pão fresco e fruta…
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Nem saí do carro. Fiquei virada de frente para os prédios.
Para não me esquecer que tinha chegado ao Porto, ali estava, outro velho conhecido, talvez à espera que o supermercado fechasse, para vasculhar no lixo o seu jantar, como vejo fazer, tantas vezes, a tantos outros, quando os contentores são colocados na rua, na hora de fechar. Tiram, meticulosamente, caixas de fruta, de iogurtes, de carne, escolhem, voltam a compor o caixote e a fechar a tampa…
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As pessoas continuam a fazer a sua vida normal, como se não os vissem, passam e seguem… O Porto também é um lugar de contrastes e mendicidade… todos os dias… e não só neste, em que me atrevi a captar um instantâneo de pobreza… [também, de indiferença…], porque a vida segue em frente para quem tem outros afazeres.
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Pensei em escrever sobre isto, naquele dia, porque é tão comum este cenário… já não se esgota em zonas como o Marquês. Não são velhos a pedir, normalmente. São homens e mulheres com um olhar alienado e perdido… são portugueses e estrangeiros… [Alguns, com a minha idade...]
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Depois desta foto, alguém passou a recolher beatas no chão e a guardá-las no bolso de uma camisa suja, sem olhar para ninguém a não ser para o chão, carregado delas. Presumo que escolhia as maiores. Lembrei-me dos mesmos gestos, de quem apanha conchas na praia e deita fora uma, porque descobriu outra bem mais bonita. [E não me senti, nada bem, comigo própria, quando acabei a comparação…].
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Quando cheguei a casa, passei as fotos da máquina para o portátil, olhei para esta e resolvi não lhe pegar mais. Não pedi licença para a tirar… foi um gesto quase predador… de miséria alheia.
No entanto, depois dos posts anteriores e do comentário da Mdsol, lembrei-me dela. Resolvi ir buscá-la, porque não é preciso ir à China… [nem para ver os Jogos Olímpicos, no seu maior esplendor…] e eu não tenho nada contra os Jogos Olímpicos, ou contra os chineses, enquanto indivíduos… Os desígnios desta escolha, de Beijing, são tão complexos, que outros, bem mais habilitados do que eu, já devem ter discursado e escrito autênticos tratados políticos e económicos sobre o assunto…
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O que é um facto, é que não me apetece ouvi-los, ou lê-los. Também sei que perdi a vontade de espreitar para a televisão e seguir algumas das competições de que tanto gostava… e se as encontro, ocasionalmente, não tiro o mesmo prazer [embora as performances e os tempos tenham melhorado, ao longo destes anos].
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[Penso que não é da idade e de algum desânimo pessoal, dos últimos tempos. Penso que é dos tempos, mesmo. Penso que é da pobreza generalizada, que já nem consigo deixar de fotografar, sem pedir licença…]
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.Foto de Agosto de 2008, Porto ao final do dia