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domingo, 25 de setembro de 2011

Tempo de Falta de Tempo...

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Chegou o tempo de pensar na falta que me faz o tempo...
Tempo de calçar meias nos pés
Tempo de chegar cansada a casa
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Tempo de Escola
Tempo de não perder tempo
Tempo de não ter tempo
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E sinto saudades das pequenas irrelevâncias que se apanham no chão e de brincar com elas nas minhas mãos, sem pressa.
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Sinto saudades do Agosto interrompido e, mesmo assim, Agosto e Verão!...
Também recordo o livro que ficou a meio e ficará... [assim, que eu sei.]
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Continuo zangada com ele: avaro, como sempre!
Há zangas que duram uma vida inteira...
[enquanto o tempo passa e eu fico mais velha.]
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Foto tirada por JC, no Jardim Botânico, princípio de Setembro de 2011
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quarta-feira, 20 de julho de 2011

A capa da minha agenda...

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de um ano lectivo que nunca mais acaba
terei saudades da capa da minha agenda
da foto do meu filho, também
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acompanhou-me nos dias mais solitários
entre o desejo de voar para Budapeste
e o desespero do trabalho insano
que me fez ficar
que aumentou a distância
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não tenho saudades de mais nada
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continuo a ver os alunos
caras sorridentes em jeito de consolo
que  não me consola
continuo a encontrá-los pela escola
e continuo cansada
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ainda não se vislumbra
a póxima agenda
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hei-de fazê-la
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na esperança de não precisar
da foto do meu filho
noutro ano lectivo com saudades
apenas
da capa da minha agenda
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[...]

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um regresso...

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Houve tempos, em que o mês de Setembro era uma espera ansiosa por dias renovados.
Agora, Setembro tem um cheiro lunar de apreensão e alguma melancolia...
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É o regresso a casa, para valer!
O sol não vai alto. O fim de tarde é mais cedo. A noite chega, para ficar mais tempo.
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Arrumo os vestígios de um ano de trabalho, que passou.
Abro páginas de ficheiros novos, para o próximo...
Apago e substituo o símbolo da Escola...
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[Nesta operação silenciosa, de regresso, sinto a falta de sorrisos cúmplices que deixei noutro lugar... Reconheço, não sem uma certa consternação, que tudo é tão perto, agora!...]
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domingo, 12 de julho de 2009

Quando mudar é regressar...

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Foi nesta Escola, cheia de árvores e jardins relvados, que acabei o ensino secundário.
Aliás, todos os irmãos, por lá passaram.
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No meu último ano, como aluna, atravessava esta alameda, várias vezes ao dia.
Para além do Laboratório de Física e Química, do Ginásio e do Campo de Jogos, a sala de aulas, que partilhei com 18 colegas de curso, ficava do lado esquerdo... [Mais precisamente, na terceira porta].
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Fazíamos o percurso a pé. Era perto de casa da família.
[Quando chovia, procurávamos o carro do meu pai, que esperava por nós. Acho que nem usávamos guarda-chuva...]
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Foi numa manhã, diferente de todas as outras, que aqui vivemos o 25 de Abril. E vivemos muitos outros dias, sempre diferentes e únicos.
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Depois de tantos anos, é nesta Escola que passarei os próximos, como professora.
Para trás, ficará uma Escola com vista para o mar...
Nesta mudança, pouco distante da minha casa, sinto um regresso estranho [mas, um regresso, sem dúvida!].
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A Sala de Professores mudou de lugar [ou de nome...].
Era o espaço da minha sala de aula, no primeiro dia em que cheguei... agora, reconvertida noutra coisa.
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[Mudanças e regressos... duas circunstâncias que não me são familiares. Normalmente, não regresso. Fecho a porta e devolvo as chaves... O esquecimento é para ganhar espaço de memória!]
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sábado, 6 de junho de 2009

Uma tarde azul...

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Os alunos jogaram voleibol de praia, soltos e contentes.
Nós as duas, professoras, continuámos a trabalhar.
Preparou-se a auto-avaliação e recebi a papelada da renovação das matrículas...
Foi um princípio de tarde azul, junto ao mar, no terminar de um ano de aulas, enquanto o Verão se anuncia...
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[A ideia? Foi dos alunos! Fomos lá ter, depois de autorizada a nossa saída.]
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Por um quarto de hora...

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Tenho-me expressado por aforismos, nem sempre com eloquência e convicção.
Talvez tente esconder a falta de tempo… de assunto… de vontade…
Os dias passam-se entre Porto-Póvoa-Porto-Póvoa-Porto-Póvoa
Nem sempre, sei qual a direcção das minhas viagens e permanências.
A minha casa e as pessoas que a habitam ditarão o sentido do início e do fim destas viagens.
De segunda a sexta, a quase totalidade do meu estado de vigília é passada na Escola. Os meus sonhos cansam-me as noites, disparatados, referenciados a corredores apertados, a monoblocos abafados, a obras que nunca mais acabam...
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Quantas vezes, na chegada, procuro o silêncio de um sono profundo, apenas!...
Cansam-me as pessoas e as palavras [… e como parecem gastar-se, demais, para se esbanjarem com tão pouca parcimónia!...].
Sem qualquer tranquilidade, aguardo o fim das aulas, tal como os alunos e, quem sabe, a mudança para outra Escola, mais perto de casa…
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Com a preocupação de cumprir planificações anuais, que não contemplam imponderáveis e imprevistos, as aulas tornam-se maçudas para alunos e professores. Sem querer generalizar e sem pensar em todas as tarefas que continuamos a inventar, para nos complicar os dias, parece que não há tempo para outras dimensões do espaço e do tempo das aulas.
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No entanto, hoje… passada que foi mais uma quarta-feira, depois da apresentação de um dos trabalhos de grupo de uma turma de 12º ano [daquelas que chamamos atípicas, na esperança de não apanharmos, tão cedo, outra igual!], sobrou algum tempo de aula.
Não tinha previsto que acabassem tão cedo. Não tinha pensado nos habituais “Planos B”, que me livram de embaraços deste tipo, talvez por andar tão cansada, ou por não esperar dos alunos um desempenho tão eficiente?
Lembrei-me de perguntar, a todos [ainda sentada nas carteiras do fundo da sala, as mais pretendidas, sempre…], se o trabalho que tinham apresentado teria alterado, de forma positiva e importante, as opiniões pessoais quanto ao tema…, se tinham gostado de o fazer e de o apresentar…, o que é que tinha mudado, se é que tinha mudado alguma coisa…
Não deixei de pensar que estaria a arriscar um fim de aula turbulento, sem regras estabelecidas, a deixar-lhes todo o espaço para as palhaçadas do costume, a acabar mais uma aula com uma voz de comando [que nem me fica bem!… como diria alguém que eu conheci há muito tempo…] mas, da qual tenho abusado, nos últimos meses...
Pois, ainda bem que arrisquei. Das respostas deles e da minha atenção, ainda sentados do mesmo lado da sala, foram partilhadas expectativas, sonhos e apreensões, quanto aos dias que virão, depois de deixarem esta Escola. Para estes alunos, ela foi o cenário da maior parte das suas horas de vigília, também...
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Quase não ouvimos o toque da saída. Arrumámos as mochilas e os sacos. Saímos quase silenciosos. Percorremos o corredor estreito, entre os monoblocos [que, afinal, não foram tão provisórios, assim…], lado a lado.
Acho que nunca o fizemos, desta maneira. Senti a solenidade do momento. Por um quarto de hora, nem que tenha sido, apenas, por um quarto de hora, fomos a turma perfeita – alunos e professora.
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[Sei que é este instante que vou querer recordar. O instante quase mágico com a única turma finalista do Curso Tecnológico de Desporto de 2008/2009…]
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foto de helder rodrigues s/título, in olhares.com

terça-feira, 14 de abril de 2009

Não foi um dia como outro qualquer!

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Aqui estão as cores de mais uma Páscoa passada, um pouco mais a Norte... um pouco mais sombrias [Branco, verde e amarelo].
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A estrada, hoje percorrida [em mais um regresso...], não estava muito diferente desta curva e contra-curva, um pouco menos a Norte...
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Apesar de ter sido outro regresso a aulas e alunos, mais me pareceu um adeus antecipado.
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Não faltou a chuva [de um céu que chora por empatia?].
Teria sido um dia qualquer, não fora este sentir de um regresso, com odor a despedida.
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[Talvez, daqui a um ano, tenha saudades das margens de um caminho que já foi tão novo!...]
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Nem sempre morrem de pé...

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Esta árvore não morreu de pé.
Arrancaram-na do chão, quando eu nem vi.
Um dia, olhei para o jardim interior e tudo era outra coisa: lodaçal de chuva de Inverno, cimento, areia e entulho.
Ninguém se lembrará mais daquele jardim e desta árvore, que tinha o dom de tudo celebrar.
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[Ando assim, como tudo o que era e se transformou noutra coisa, informe e irrelevante. Recordo os tons de verde. Até à Primavera. Até ao Verão. Quando chegarem, de outra maneira...]
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sábado, 13 de dezembro de 2008

Das solidariedades...

Antes de começar a trabalhar, num fim-de-semana que parece vir a ser longo e cansativo, lembrei-me daquela vez em que falei de uma formação sobre mediação de conflitos, que me foi proposta para este ano lectivo...
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Entretetanto, como aconteceu com muitas outras expectativas, fui esquecendo.
Voltou-se a falar do assunto. Sem saber como, descobri que sou uma das coordenadoras e a reunião de todos os "projectos e sub-projectos" já aconteceu.
Quanto à formação será no estilo "faça você mesmo" [como nas instruções das prateleiras e dos móveis das grandes superfícies... em que faltam dois parafusos fundamentais... e a tradução está mal feita e sem sentido!]
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Para já, são montanhas de testes e trabalhos para corrigir e pontuar... reuniões de avaliação e actas para fazer e passar para o software da Escola. Pecisamente, quando os PCs começam a queimar discos, de tanto uso e, apenas três, parecem querer funcionar!
A seguir, vêm as reuniões com Encarregados de Educação, de cada Director de Turma...
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Este ano, não tenho que me preocupar com justificações, por não gostar do Natal.
Este ano, não tenho tempo para lamentos natalícios. Está resolvido.
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E é curioso que, no meio dos mal entendidos e jogos de poder em torno da Educação, ainda se formam nichos de solidariedades, quase inexplicáveis!... [pequenos contra-poderes do dia-a-dia, que darão algum sentido ao que já não parece ter... pequenos palpites, sem precisarem de manuais de instruções...].
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[Serão as prendas de Natal...]
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Nota: e as prendas chegaram cedo. Afinal, não terei que me despedir de um blog...

 

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Escola com vista para o mar...

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Pois, estão impossíveis, este ano... piores que no ano anterior! - dizemos, nós... professores de uma turma de 12º ano de Desporto... [mais velhos... mais infantis... mais desatentos... Mais<=>Menos!]
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Ontem, quis ouvir algumas das razões [outras... eles e elas não falam. Apenas se adivinham. O mesmo acontece com os professores... que as discutem entre pares...].
Com as obras na escola, não foram as árvores e o jardim que desapareceram, somente.
No seu lugar, existe um lamaçal de estruturas de ferros e de betão, que aguardam o sítio certo na futura reconstrução.
Este ano, não apetece levantar para vir para a Escola!... [dizem... dizemos...].
Esta Escola, sempre tão bem equipada para alunos de Desporto, não consegue assegurar a prática de todas as modalidades... nem através do protocolo com o pavilhão municipal.
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A professora lembra-se? Lembra-se de ir assistir aos nossos jogos, organizados por nós? E das fotografias que nos tirava?
Lembro. Claro que lembro. Pensava que isso lhes fosse mais ou menos indiferente... [embora tenha assistido a muitos jogos... e a outros tantos assitiria, apesar da papelada imensa e em vez dela!].
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Apetecia tirar estes alunos de uma Escola, com vista para o mar... mar que é raro vermos!
Gostava de os acompanhar a sítios onde pudessem fazer trabalho no terreno... É certo que irão fazer estágio em instituições... É certo que já fizeram trabalhos, para outras disciplinas, referenciando as fontes e as fotocópias de Psicologia A... [Afinal, é para isso que está no currículo destes cursos! e de todas as turmas, foi esta, não outra, que soube aproveitar a transversalidade das matérias e das disciplinas.]
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Era urgente tirá-los da Escola e procurar outros cenários para ensinar e aprender. Mas não tenho só esta turma, de 12º ano, que nunca irá conhecer uma Escola renovada.
Entretanto, vou pensar como fazer... neste ano de final de um ciclo de estudos que, para uma grande parte, é a despedida da vida de estudante e da Escola!...
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[De momento, até eu, não sinto vontade de andar pelos corredores estruncados e apertados, de uma Escola, onde o ruído das obras, os espaços vazios de jardins passados e pinheiros mansos... me fazem falta. Estas obras parecem a metáfora triste dos dias que correm...]
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Flores de papel...

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Cada vez trabalho mais com o PC.
Cada vez preciso mais dele [embora o ache cada vez mais lento...].
Apesar disso, com extensões de memória artificial e com discos externos para guardar e guardar... a impressora não pára de chamar folhas de papel e tinteiros!...
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Descubro novas formas digitais para enviar materiais e recursos aos meus alunos. Gasto algumas horas, por semana, a actualizar contas partilhadas ou o Moodle da Escola.
Apesar disso, as cópias e fotocópias são uma rotina inevitável!
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Qualquer dia começo a fazer flores de papel!
Em vez das cópias e fotocópias [porque não existem manuais para uma disciplina, que existe...], do meu regaço sairão flores brancas, salpicadas de letras e palavras... de papel.
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[Tenho os olhos cansados...]
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.Foto de rosa de papel, in 7650fotoblog.weblog.com.pt

sábado, 15 de novembro de 2008

Das pontes... e dos caudais intransponíveis

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Acordei cedo, para trabalhar. [As rosas mantêm-se vivas e prometem sobreviver mais uns dias]
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Entretanto, numa sala cheia de colegas "à beira de um ataque de nervos", tentei pôr em dia as faltas e justificações dos meus alunos, esquecidas desde princípios de Outubro, pela professora que me foi substituindo. Percebi porque razão esse trabalho estava tão atrasado. Os PCs estão instalados em sala provisória e amontoam-se colegas à nossa volta, por falta de espaço. Os ditos PCs, cheios de vírus e com demasiados utilizadores, ao mesmo tempo, abrem os programas [das Direcções de Turma e das Actas] e "cracham" passado poucos minutos. Há que reiniciar. Perdem-se dados. Volta-se atrás. Ouvem-se desabafos, ao lado. Distraímo-nos. Rectificamos.
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Quando cheguei a casa e estacionei o carro, na RFM, ouvia a música do genérico do Oceano Pacífico...
Percebo a imensa indisposição dos meus colegas. Perdem-se horas com estes incidentes... e não consegui imprimir um mapa actualizado. De repente, acabou. Os PCs mandaram-nos para casa!...
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Mais por ter regressado agora, do que por convicção, não sinto o stress da avaliação. Não estive presente nos momentos iniciais dos impasses. [A minha escola é mais uma das que interrompeu o processo e se recusa a continuar, nestes moldes]
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Os alunos queixam-se de que os professores estão mais intolerantes e que "fervem em pouca água". Não observam o que se passa nos bastidores. Não sabem a razão de tal mudança. Mas que a sentem... sentem!
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O lugar das pontes entre professores e alunos, é um caudal intransponível, de momento. Parece que, de nada valeu a intenção do ano anterior, de construirmos renovadas pontes, sempre que necessário.
Os alunos da minha Direcção de Turma parecem órfãos... e os outros, talvez menos... mas, também.
Não há tempo!... Eu que pensava que era um problema só meu. Este ano lectivo, é generalizado.
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[Mais que habituada a sentir no tempo um inimigo... pareço ser, por enquanto, a única que olha para ele sem o temer!... E... as pontes prometidas fazem-nos falta, a todos.]
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.foto de Rui Ramos in Olhares.com

terça-feira, 11 de novembro de 2008

"Rosas para mim"...



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Depois de uma longa ausência [coisa que nunca tinha acontecido...], voltei à escola e aos meus alunos.
Desde o 10º ano, que acompanho a turma do Curso Tecnológico de Desporto, como professora de filosofia e directora de turma [... que já me fez assistir a uma lista infindável de jogos de todas as modalidades possíveis e imagináveis...].
Hoje era a primeira aula, depois da festa de ontem, nos corredores de uma escola cada vez mais apertada, com as obras...
Apareceram-me com este ramo de rosas vermelhas! e, num abrir e fechar de olhos, juntaram duas mesas e fizeram aparecer um lanche divinal!... [mais o bolo de chocolate da mãe da Cátia!]
Também eu tinha saudades... e preocupavam-me os telefonemas, a saber se estava melhor, a perguntar quando voltava...
Ninguém tinha máquina fotográfica, para fazer o registo deste regresso que cheguei a pensar ser impossível. [... Os telemóveis estão interditos... como é sabido!]
Por isso, cheguei a casa e fotografei as "Rosas para mim"... Coloquei as fotos, tiradas de vários ângulos, na página do Moodle, no item "Momentos para não esquecer!", onde outras se hão-de juntar, como no ano lectivo passado...
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[É bom regressar, também, para os afectos... e sentir, novamente, vontade de (vos) contar!]
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terça-feira, 9 de setembro de 2008

De que são feitas as cordas...



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Quando o trabalho se torna escravidão, é escravidão, mesmo.
Há cordas que, ou são de aço, ou tenderão a quebrar.
Não sei de que são feitas as minhas cordas. Sei que não estão muito resistentes, ao ponto de aguentarem grandes esticões.
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Resta-me a consolação [que não é consolo nenhum] de olhar à volta e perceber que não estou sozinha, nesta azáfama insana.
Tal como previa, deixei de ter tempo para um olhar desinteressado, nem que fosse por uns minutos, para um outro cenário qualquer… [pena… cansaço prematuro… preocupação… desconsolo… desânimo… e o que tem que ser…].
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Presumo que terei que conseguir. Talvez presuma mal… Algo me parece mais ou menos evidente. O próximo ano lectivo vai sair-me muito caro, a vários níveis. [Já me sinto mais empobrecida…].
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[Deveria decidir outras coisas para a minha vida? Deveria optar por ter uma vida? Deveria… Não sei. Mais uma vez, alimentei falsas esperanças. Este ano não vai ser mais fácil do que o anterior. Ponto final!]
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foto de Pedro Moço in Olhares.com, Nervos de aço

sábado, 24 de maio de 2008

Os dias que passam... da sobrevivência e dos pequenos predadores...


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O ano lectivo está prestes a acabar…
As próximas semanas serão de despedida para os alunos de 11º ano, a seguir para os de 10º.
Na despedida, ainda há testes para fazer e corrigir, trabalhos para avaliar e outros testes para entregar.
Depois, vem a infinidade de papel para preencher e grelhas para actualizar, com as reuniões de Conselho de Turma em perspectiva.
Ainda há o cuidado especial com a minha Direcção de Turma. [- Para quem se voltou a estrear, neste novo modelo de ensino, tens cada caso!... disseram-me há dias… Até parece que sim, que teria sido de propósito. Se aguentasse esta prova do guerreiro, teria passado no teste? Esquecem-se de que não se trata disso. Trata-se, sim, de cada caso!...].
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Parece que paira um ar de suspeição, quanto à minha continuidade, ou não… nos colegas, nos alunos, na direcção. De repente, as simpatias proliferam e algumas desculpas acentuam-se, fazem-se planos para a continuidade… e eu não sei!
De momento, nem me apetece tomar qualquer decisão, de tal modo me inundam de certezas, que eu não tenho e de trabalho que tenho, de facto. [Por isso, o relógio não pára e, se parasse, era muito mau sinal. Teria desfalecido e desistido. Ponto final.]
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Pois, a mim, o que me preocupa é, precisamente a continuidade. É não ver caras novas e rostos mais frescos, para o próximo ano lectivo. É estar tudo na mesma, ou pior, dentro desta ficção, que é a continuidade! Para além disso, o cansaço redobrado, as novas madrugadas e os tempos mortos [e obras na Escola, porque há que melhorar… mas, há que aguentar horários bem piores, porque o número de salas vai ter de reduzir], cada vez mais cursos profissionais e menos filosofia para dar…
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E, eu, continuo sem me decidir, se hei-de sair ou se hei-de voltar, enquanto espero mudar de Escola para o outro ano lectivo, supostamente, mais perto do Porto, supostamente, menos burocrática, supostamente, nada disso… ou até pior!
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Nesta manhã de sábado, enquanto aguardo uma nova cadeira, mais preparada para as imensas horas que passo, sentada, voltei a cortar as pontas do cabelo, como se isso me retirasse algum do peso que sinto sobre o corpo [que é muito superior ao da gravidade… porque não carrego sacos, livros de ponto, portáteis e projectores… são eles que me arrastam pelos corredores…].
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Podia aproveitar este fim-de-semana, que se anuncia chuvoso e feio, para fazer umas posturas de Yoga, finalmente… desenrolar o colchão, que repousa perto de mim há quase dois anos. Mas, será pouco provável…
Tenho uma turma de testes para corrigir, trabalhos para avaliar, testes para fazer, grelhas para adaptar [e roupas da casa para cuidar, coisa de somenos importância, vendo bem e cada vez mais]. Alguém há-de tratar de me alimentar, mesmo quando não tenho fome… apenas, o estômago apertado e a comer-se a si próprio, certamente.
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Depois… e então, tratarei de perceber se isto é só cansaço ou doença [ou tristeza…]. Depois! Quando a azáfama acabar. Quando deixar de sentir que os dias têm um cheiro de animal predador, mesmo que seja, por razões de sobrevivência partilhada.
Tenho o mês de Junho, em que ficarei um ano mais velha, para decidir se vou, se fico, se quero, se não quero [quando a pergunta também é: se aguento, se não aguento… e, isso, eu não sei… e muito mais!].
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Talvez consiga ler algum dos livros que me esperam, silenciosamente pousados nas prateleiras, para onde nem olho, porque quem me alimenta também se encarrega de lhes tirar o pó, que eu já não tiro, porque não tenho tempo e porque nem os quero ver.
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Não é uma sensação de depressão, daquelas que apelariam a psicotrópicos e afins. Não é. [Embora, seja típica a recusa a quem deles precisa...] As razões dos meus impasses são demasiado objectivas, têm nomes, têm rostos, têm motivos, enfim, serão do domínio do quantificável, até!...
Por isso, o refúgio tentador dessas panaceias não resultaria em qualquer melhoria.
Durante anos, fui os ouvidos de tantas razões semelhantes às minhas!... E era tão mais simples, advogar em causa alheia!... As minhas palavras eram bálsamo para ouvidos, que não os meus. Agora, por muito que tente repeti-las, não me assentam. Não me vestem. Não me cabem. Não são o meu número!
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[Mudei tanto, assim, em tão pouco tempo? Se, nem eu, me reconheço mais, sem precisar de confirmar nos espelhos, para os quais pouco olho… e mesmo que olhasse, de que me serviria? Os duches matinais são a correr e sem óculos. Vejo uma mancha vaga e misturada com vapor… Saio de casa, a correr, para não ultrapassar velocidades proibidas, na estrada.]
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de Isaurinda Brissos em www.olhares.com, Pequenos predadores dos dias que passam

sábado, 17 de maio de 2008

Outros balanços para um sábado...


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Hoje, espera-me um sábado, no [desas]sossego da solidão, muito propenso a novos balanços.
Não fosse ter acordado com uma imensa dor de cabeça [que o analgésico talvez resolva] e, quem sabe, o dia poderia ser produtivo, isto é, poderia aproveitar para trabalhar e trabalhar e trabalhar…
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No entanto, de quinta para sexta, pouco dormi.
Sexta-feira, tinha um assunto urgente para resolver no local de trabalho, daqueles que perturbam demais… Havia que convencer altas instâncias de que o mesmo não podia ser resolvido de qualquer forma [e doa a quem doer], por envolver questões pessoais, que não eram minhas mas, de uma aluna e de uma coisa que, de família, só tem a designação.
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Parece que tivemos sorte, a aluna e eu. Convenci. Mas custou-me uma noite de sono e um dia a cambalear de cansaço, para além das diligências que terei que fazer, antes que o ano lectivo termine, utilizando o que não sei se ainda tenho: o meu best judgement.
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Precisava de ter tido mais tempo para pensar melhor e não tive… para alinhavar um discurso persuasivo q.b.. [No entanto, parece que o improviso funcionou e é o que interessa, embora, em assuntos alheios, não goste de confiar nesta estratégia desalinhada, acrescida de um cansaço profundo… E, quem sabe, não terá sido esse meu mal-estar que ajudou a persuadir... já que é impossível disfarçá-lo, de facto.]
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Pela primeira vez, dou-me conta do que significa este ficar em casa sozinha, não poder participar em acontecimentos que, dantes, eram habituais e que eram uma parte importante da minha vida [embora também fossem trabalho, de outra forma]. Também preenchiam alguns pequenos vazios
Agora, os vazios são muito maiores e lembram a aproximação de grandes buracos negros, apesar de o meu tempo estar cada vez mais cheio de compromissos inadiáveis. A agenda não chega para incluir tudo o que há para fazer!... Disperso por outras folhas e post-its, colados em tudo quanto é sítio…
Assim, vou-me esquecendo de alguns, apesar de tanto lembrete! [E fica uma sensação de quase incompetência, de pouco controlo sobre o que faço e o que penso...]
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Continuo a aproveitar as viagens para tentar ordenar ideias [para não adormecer, também]. Ouço as notícias na RFM, porque já não vejo noticiários.
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.Quinta-feira, no regresso, dei-me conta de que começava a ouvir a música do genérico do Oceano Pacífico. Olhei para o relógio do carro – 22:00 horas!
[Uma lágrima patética e depois outra…]
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O meu filho fazia 22 anos.
Ainda tive que jantar fora de casa, por assuntos que não serão mais meus, também, como os de hoje.
Ao dar-me conta do meu cansaço… da distância destes outros assuntos… de que tinha que acordar às 6:10 da manhã, com outros problemas para resolver [só meus, pelos vistos, porque – dás demasiada importância.!... – envolves-te demais!] … a ver as horas passarem… o meu filho em casa, depois de chegar das aulas… a meia-noite e meia... acho que percebi que alguma coisa importante acabou!
Assim, parece-me mais sensato não ir, não estar, deixar de querer fazer o que não posso.
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Talvez me envolva demais. Talvez dê demasiada importância. Talvez
Pode ser que aqueles que são importantes para mim mas, que não estão a maior parte dos dias comigo, sintam que é legítimo pensar assim.
Mas, o que parece ser uma certeza é que não estão comigo [nem teriam que estar, obviamente], para poderem entender o significado das minhas horas quotidianas e rotineiras e sem interesse, que são o meu trabalho, para o melhor e para o pior…
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De facto, como explicar o imenso desgaste a tentar gerir conflitos, multiplicados por dezenas de Outros não tão significativos [mas, também, significativos...]?
Ao mesmo tempo, há que tentar dar aulas e cumprir outras tarefas, com horários insanos, a ver a insanidade geral a começar a instalar-se [e, por isso mesmo, ali não estou sozinha…].
E, ainda, ter que exibir um semblante que inspire uma confiança que não passa de um bluff mas, que é necessária!...
Afinal? Onde começo eu e sou eu? Disperso-me por duas cidades!...
Apenas sei onde durmo e onde acordo… mas, por muito pouco tempo, mal me reconhecendo ao espelho...
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[O analgésico funcionou mas, deixou-me num estado de torpor, que não anuncia grande actividade intelectual ou física, para hoje… apenas um sono mórbido, prenúncio de enxaqueca anunciada, para daqui a uns dias… ou menos. Paciência.]
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Foto retirada da net e modificada, imagem distorcida de um jarro ao espelho

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Tempos de Maio, em crepúsculo de Abril...


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.Em vésperas de 1º de Maio, dia do trabalhador, não sei o que me parece ter que trabalhar [e com esta falta de vontade…].
Que tempos são estes, em que tudo me parece de uma inutilidade fragilizada e que fragiliza?
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Não me faz bem o convívio semanal com os meus Confrades da Filosofia [que já pouca filosofia leccionam, com o proliferar de novas disciplinas, regateadas para o nosso grupo, com receio de se esvaziar a carreira…]. Definitivamente, não me faz bem. Fora raras excepções, ouço o discurso do caos e do sem remédio [que remediado estaria – palavras da minha avó!].
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Andamos à volta do perfil do aluno, há três sessões e, como seria de esperar, não se chegaria a acordo, mesmo que fosse essa a discussão [que não tem sido, maioritariamente falando].
Carpir é o verbo mais adequado, quando não se puxa da citação para revelar desagrados pessoais sobre autores de manuais da disciplina, por exemplo.
Depois, colocar a questão do aluno como o nativo digital e os professores como mutantes do papel para o digital, é de uma ingenuidade colossal, plasmada num diapositivo pindérico de um PowerPoint que não há meio de avançar.
[Entre mim e os meus alunos, a que domina melhor os meios digitais, devo ser eu, bem como a que tem melhor equipamento informático, em casa.]
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De facto, a única tecnologia que os meus alunos dominam com melhor destreza do que eu, são os telemóveis [um ou outro, o Ipod]. E não o faço melhor, porque não preciso, de facto. Mas também consigo mandar um SMS sem olhar para as teclas… É uma questão de economia de tempo, ou não ter os óculos de ver ao perto [por perto…].
Quanto a jogos da PlayStation, já tive os meus dias, quando jogava com o meu filho, na outra consola [ainda ganhei alguns e passei de nível, várias vezes].
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Nos tempos em que andava no liceu, talvez mais nova do que os meus alunos [essa, é capaz de ser a diferença, substancial], lembro-me dos recadinhos em papel, que eram transportados de mão em mão, até chegarem ao destinatário, por vezes, interceptados pela professora e com direito a grandes reprimendas, que não nos impediam de prosseguir com a brincadeira.
Também tínhamos intervalos para conversar uns com os outros, não se justificando, aparentemente, tal necessidade de comunicar dentro da aula.
Mais ainda, tínhamos furos [e não eram poucos…], onde aproveitávamos o tempo como queríamos, dentro da escola, estirados na relva, quando estava bom tempo, ou nos bancos do salão polivalente, perto do bar, quando chovia…
Mesmo assim, os bilhetinhos escritos e os olhares cúmplices persistiam, com a respectiva distracção, que lhe estava subjacente, continuando nas aulas seguintes.
[A este propósito, os meus alunos serão nativos digitais… apenas porque o medium é um telemóvel?].
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Actualizo, rotineiramente, para cada turma, a plataforma da Escola. Contam-se pelos dedos [de uma só mão], quantos são os alunos que fazem acessos numa base quinzenal. Já nem digo semanal! Uma grande parte, não tem internet em casa. Na escola, não têm horário. Nos cibercafés pagam. Não é fácil requisitar portáteis para aulas de substituição [que, quer queiramos, quer não, na maioria dos casos, não têm plano de aula…].
Por isso, são os meus alunos que continuam na era das fotocópias e eu na era digital, praticamente, sozinha.
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Continua a escavar-se um fosso entre os que têm e os que não têm. E não é por desleixo, ou falta de vontade. Os portáteis da Sra. Ministra não são oferta. Obrigam ao pagamento de uma mensalidade, prolongada no tempo. Instalar e configurar a internet, em casa, implica mais do mesmo.
Os meus alunos não são os alunos dos outros professores. Ponto final e vice-versa.
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O perfil do aluno?
É a diversidade infeliz...
Essa realidade não está no diapositivo, sobre o qual não se avançou nada, em três sessões.
Começo a concluir que as diversidades são, cada vez mais, sinais de infelicidade e de vida nas margens.
Por outro lado, o rio e o seu caudal não passam de um ribeirito, para os eleitos refrescarem o dedo grande do pé [não sem um certo nojo, porque a água tem as cores da estagnação e da futura secura e porque há piscinas em casa...].
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Por estas e outras [razões?], não me sinto bem entre pares?
Nem me apetece cumprir certas normas superiores?
Nem me acho capaz de compactuar com estas assimetrias que a escola acentua, porque não se esquiva a reproduzi-las [para além da falta de seriedade como se ensina - o quê - e se avalia – o quê …]?
E dou comigo a falar o discurso de outros e a sentir que, se não me convence, como posso continuar a falar?
Não façam.
Não digam.
Não.
Não.
Não.
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[A primeira palavra que o meu filho aprendeu a dizer não foi mãe, nem pai. Foi NÃO, para grande tristeza da família. Apenas pensei que talvez lhe desse mais jeito do que chamar pela mãe, ou pelo pai. Quando o ouvia, sabia que talvez fosse importante aproximar-me e averiguar. De certa maneira, também era um chamamento…]
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Foto de um crepúsculo do dia 25 de Abril de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

Para que lado tomba?


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Não sei bem porquê…
Cheguei da Escola com vontade de fazer balanços.
Entretanto, o cansaço venceu-me e deitei-me no sofá, disposta a dormir sonos da véspera, como sempre.
Tirei o som à televisão, em frente, mas não dormi. [Também não me lembro do que vi no écran.]
Não estava nos meus planos escrever nada, sequer.
Quando muito, se recuperasse, talvez me decidisse a corrigir alguns trabalhos de alunos [de qualidade bastante duvidosa, mas assíduos, na tarefa].
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Acho que, sem me dar conta, tratava de fazer os tais balanços, enquanto o corpo deve ter descansado [apenas, pela postura – horizontal…].
Para que lado tomba a nossa avaliação das situações? Deve ser por isso que se chamam balanços.
Para que lado tomba a minha?
Para que lado?
Qual dos lados?
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De repente, sinto-me bem mais dicotómica do que me julgava ser.
[Será das companhias, será…]Parece-me que só há dois lados e não me encaixo no meio-termo.
Não sinto que exista um lado para cima, por onde possa iniciar um movimento em espiral. [Recuso-me a pensar no lado de baixo, com sete palmos de terra!]
Só parecem existir dois lados:
Ou insisto em fazer o que tenho andado a fazer…
Ou desisto…
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Estou como este monólito branco, com algumas manchas de sujidade. Não consigo ser tão invulnerável quanto desejaria.
Sofro as influências dos lugares e das pessoas, como qualquer criatura viva. Passam por mim e deixam marcas.
Não deixam pinceladas artísticas…
Nem eu, com estes traços de usura, consigo desenhar nada mais criativo do que aquilo que é [marcas de mãos sujas, raspões sem intenção, cores indefinidas da passagem dos outros e do tempo].
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Espero que acabe [o melhor possível] o ano lectivo. Continuo a preparar aulas e tudo o que as acompanha…
E, talvez [se calhar], a proximidade da primeira vaga de testes tenha sido a razão, mais próxima, para esta urgente vontade de fazer balanços.
Quero isto para os meus dias futuros?
Vou manter-me de pé [mais ainda, sem arredar pé], vestida de um branco cada vez mais sujo, pelas máculas inevitáveis de ter decidido insistir e não desistir?
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Porquê hoje, outra vez, numa sensação que não é nova?
Será a proximidade dos testes…
Será a proximidade
Será…
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Alguém, há muitos anos, me disse que eu tinha uma visão demasiado estética da filosofia. Estendeu-a à visão do mundo [afinal não acrescentou grande coisa…]. Pelo tom com que foi dito, não entendi que se tratasse de um elogio.
Aliás, pareceu-me mais uma praga rogada, como uma bofetada, na cara.
Devo ter feito de conta que não ouvi.
Utilizei essa táctica, da surdez selectiva, frequentemente [talvez inspirada no meu pai, cuja falta de audição nunca me convenceu, mas também fiz de conta… e punha a minha mãe em fúria], deixei as palavras no ar, mas não voaram com o vento.
Não as esqueci.
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Mesmo não sendo um elogio, também não foi uma inverdade. E, o que me leva a revisitá-la, é que me faz falta, essa suposta visão estética do mundo.
Certamente, era eu que a construía…
Certamente, era eu…
Certamente…
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Esforço-me por reencontrá-la, nos mais pequenos detalhes, apesar do sono, do cansaço e das manchas de sujidade, numa superfície originariamente branca [onde tudo poderia ser inventado, escrito, pintado, desenhado, modelado…].
O problema deste balanço é descobrir uma lição que eu deveria saber de cor.
A lição é, tão simples…
Não era preciso qualquer esforço.
O esforço seria a morte dessa suposta visão estética do mundo [não do meu mundo, mas do Mundo, pensado à maneira da filosofia].
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Bastava imaginá-lo, bastava senti-lo, bastava estar, bastava ser.
Balanço por acabar, já não basta!
E não há esforço que me faça voltar a ter esse trágico defeito: um pensamento estético sobre o mundo e sobre tudo o que este conceito imenso e vasto possa abarcar.
E isso, não se aprende. É assim, nada de elogioso, sobre mim…
Pelo contrário, aprendi que fui capaz de o esquecer [e não sei o momento em que tal aconteceu, ou foi acontecendo…].
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[Mas, como sinto a falta desse defeito, meu!...]
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Foto de coluna, originariamente branca

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Wednesday for the drain...



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.Não quero parecer derrotista, ou derrotada, mas a sensação que tenho, para o dia de hoje é bem esta:
A Wednesday for the drain!...
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Não estou com a mínima vontade de fazer nada de útil.
Acordei mais cansada do que quando me deitei [aliás, dormia a sono solto no sofá, depois do primeiro episódio de “Uma acção de formação em didáctica da filosofia”, quando fui arrancada do sítio, para subir e dormir em local mais adequado para o efeito].
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Tenho um impresso de oito páginas da Caixa Geral de Aposentações para começar a preencher. Há que averiguar qual a minha situação financeira, caso resolvesse reformar-me já!... Imagino o desenlace deste processo moroso de averiguações!... Deve ser risível, no mínimo. [Isto, se conseguir ter paciência para preencher o dito impresso multipaginal…]
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Quanto a preparar aulas, acho que perdi, definitivamente, a motivação intrínseca! [Também tenho direito a ficar desmotivada. – Estimulem-me! – interpelei uma turma de 10º ano de Filosofia, ontem. – Se insistem em ficar parados à espera do que acontece, também eu começo a ficar assim e a não ter a menor vontade de tomar iniciativas. Ainda vos ponho a ler as páginas do livro e a fazer resumos! - Mas nada acontece daquele lado… Pelo contrário, de repente, no olhar deles, pareceu-me vislumbrar um ar de um certo agrado por tal estratégia medíocre e assustei-me!]
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Do outro lado, na anunciada acção de formação, um rapaz novo conseguiu perder quase três horas com as apresentações. Como não valia a pena começar nada de relevante, saímos meia hora mais cedo.
[A única que tirou notas fui eu, talvez pela deformação profissional da pesquisa etnográfica, sei lá!... Da próxima vez, ninguém sabe o nome de ninguém e vão juntar-se em grupos, aleatoriamente, ou porque vêm das mesmas escolas…]
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Tendo em conta a hora a que me levantei, para dar três blocos de 90 minutos de aulas, com intervalo para almoçar, até agradeci. Ainda fiz duas ou três perguntas pertinentes, antes de sairmos, mas pouco mais [relacionadas com os equipamentos disponíveis, nomeadamente PCs, para podermos trabalhar in situ].
Uma turma de 20 professores de filosofia, com pretensões a filósofos, não vai ser fácil de gerir. São simpáticos, de uma maneira geral, mas a puxarem todos dos seus galões de mestres e futuros doutores [cá para mim, só futuros…, tal como o formador. O tempo escasseia...].
Calei-me, bem caladinha. A área do meu mestrado foi em documentário e antropologia visual. A acção de formação teria tudo a ver: uma reflexão sobre temáticas filosóficas, com recurso à imagem e ao texto… Não vá o diabo tecê-las e ainda teria que andar a filmar, sem a força nos braços que já tive!... Nem pensar! Quanto a isso, silêncio absoluto.
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Mais vale ser frontal, como dois dos participantes e dizer o essencial: estou aqui pelos dois créditos. Ponto final. Mais, paguei por isso!
No fundo, nada mudou, a não ser o preço a pagar pela formação. Quanto à qualidade, mais uma vez, dependerá do interesse dos formandos e pouco mais.
Já me estou a ver a perder tempo. Aquele tempo que já não tinha [mas arranja-se sempre mais alguma forma de o matar].
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Sendo assim, planos para esta quarta-feira? Não tenho! Não quero ter! Se me apetecer, até durmo. [Só espero não ter mais uma enxaqueca. Aí, já teria o dia planificado!]
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Talvez me dê ao trabalho de contar quantas aulas me faltam para chegar ao fim do ano lectivo [um dos poucos exercícios que os alunos fazem com prazer e motivação forte...], quantas quartas-feiras ainda terei pela frente, nesta modalidade… e tentarei preencher as oito páginas intimidatórias. Talvez!...
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A caminho do primeiro episódio que já referi, passei pela casa materna. Ontem, não havia reunião com as amigas, por isso, gastei o tempo a conversar com a minha mãe [livre do seu compromisso das terças-feiras], que foi muito bem empregue e que tenciono repetir sempre que possa, enquanto a novela durar…
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Entretanto, tenho a casa inundada de livros, que as editoras começam a mandar pelo correio. Quilos! Não sei onde vou arrumar tanta árvore derrubada... É assustador.
Começo a lutar com a falta de espaço.
[Esta casa foi planeada para ser minimalista e não me confundir visualmente. Se há coisa que me incomoda são objectos a mais! Eis que chegam e ocupam a largueza do espaço em volta… Até isso me roubam!...]
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Foto de tampa de saneamento em espaço interior, obviamente

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Quarta-feira pensativa e apreensiva...

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Começo a recear estar doente, mesmo.
Desta vez as enxaquecas fizeram a sua estreia durante o horário lectivo [um capacete plúmbeo sobre a minha cabeça, bem pior do que a cor deste céu!...].
A verdade é que não dá muito jeito dar aulas sem ver nada, a não ser disparos foto-eléctricos, durante mais de vinte minutos...
Não fora já ter distribuído o trabalho e a turma ser calminha e solidária [com a professora também e é preciso dizer-se] e teria sido bem mais debilitante.
Lá tomei o analgésico potente, recuperei a visão, mas também a pressão intracranina...
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Na segunda aula, tinha as luzes do projector para me incomodarem ainda mais!... Tive outra turma solidária e deu direito a assistente que, praticamente, conduziu a aula do princípio ao final... [Uma aluna que muitos consideram problemática e eu não! Coisas...]
Cada vez que falava a tensão arterial descia... o que valeu foi o debate sobre a consciência ética kantiana.
Uma aluna especial e o Kant salvaram-me!...
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A partir da próxima terça-feira, as enxaquecas terão outra Escola para se manifestarem, lá mais para o final do dia. Vou começar a minha formação na didáctica específica da minha disciplina. Vou ser aluna, também...
Não sei para que me desfaço em trabalhos...
Esta quarta-feira foi de apreensão em relação a uma carreira que me está a pôr doente, sem tempo para fazer averiguações sobre a matéria e sem conseguir pensar com clareza.
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Começo a colocar a hipótese de parar e fazer outras coisas. Não sei se mereço dar cabo da minha saúde e também já não sei se a Escola me merece, com o devido respeito [porque não estarei a conseguir fazer melhor do que o que faço; até podia fazer, se... se... se tanta coisa, que já nem depende de mim!].
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Mesmo assim, como não sou de deixar as coisas a meio [herdei esta característica do lado materno], acordei aos sssss e passei mais uma quarta-feira a trabalhar e sem internet...
No entretanto, levantei-me para pôr e tirar cortinas da máquina de lavar [limpezas de páscoa adiadas, de somenos importância, vendo bem], mais tarde, reguei o jardim e descobri que estava um calor incomum, lá fora..., depois, aproveitei para pensar que não tenho que ser fiel à minha biografia, a seguir adiei decisões mais definitivas para mais tarde... e voltei a sentar-me.
Quase acabei os meus trabalhos de hoje [ficam sempre uns pendentes para me deitar tarde e cedo erguer, que não dá saúde e pouco importa se não faz crescer, porque cresci mais do que o suficiente, em devido tempo...].
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Não tive dores de cabeça. Mas tudo o resto me doeu.
[Continuo às voltas com a circularidade do tempo horário... Que coisa redundante e improdutiva!]
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Fotos de Outra Escola, que também será a minha