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sábado, 13 de setembro de 2008

O meu Trisavô... da genealogia à ficção

Retrato de Afonso Costa
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Quando penso no meu trisavô, à falta de fotografias da época, é este rosto que se perfila perante os meus olhos.
Imagino que não seriam dois homens, fisicamente, muito diferentes. Conta-se que não. E, certo é, que foram amigos.
Também se conta que, o dono deste rosto, foi convidado pelo meu trisavô a visitar o seu “retiro rural”, depois das lutas republicanas e das cumplicidades dos tempos da Carbonária. Uma visita inesquecível, que ficou na memória de todos, até dos que não a viveram, como a minha avó, que não era nascida.
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Pois saberia o Afonso Costa montar a cavalo? Será que o meu trisavô o levou a ver a sua herança rural? Será que chegaram juntos ao ponto mais alto da aldeia e, montado na sua égua branca, apontando-lhe, desinteressado, a vastidão das terras, lhe terá contado as suas desventuras de proprietário, ex revolucionário, convertido à modorra do casamento e da ruralidade [imagino que, com um tom jocoso na voz, para não denunciar o tédio imenso… pior ainda, para não denunciar os olhos húmidos?].
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Ou o Afonso Costa não sabia montar e passearam pela aldeia e suas imediações, em ostentação mais que visível, na travessia do adro da Igreja [o padre enfiado na sacristia a espumar de raiva…].
Pararam para beber um copo de vinho, bem tinto, para comer broa com presunto ou sardinhas secas e fritas, em casa deste e daquele… [o meu trisavô orgulhoso... por mostrar o grande Afonso Costa e seu amigo, de lutas que pertenciam a um passado, que ele sabia, tinha acabado no dia em que ali chegara].
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A minha trisavó teria acolhido a ilustre personalidade, pois que não teve outro remédio! Mas, a benzer-se, de cada vez que ia à cozinha dar indicações sobre o que viria para a mesa.
Recebera-o com tanta educação e esmero, quantos foram os terços que rezou, de cada vez que a deixavam sozinha.
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Depois do episódio da visita do Afonso Costa àquela aldeia, com o rio Zêzere a seus pés, quantas terão sido as confissões e as penitências, bem penosas, que o padre lhe ordenou? Aquelas que a minha trisavó acreditou serem merecidas?
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Depois do regresso do amigo à capital, nas poucas horas que se lhe seguiram, em que pensou o meu trisavô? Revoltou-se, para se conter, depois? Resignou-se, não sem conter os olhos húmidos de tristeza, a que chamou ira e ódio, porque um homem não se comove e, muito menos, chora?
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Talvez tenha sido, precisamente nesse dia, que não voltou pela calçada que o conduzia a casa, inevitavelmente e sempre, mesmo desrespeitando as horas e os hábitos [que, só lhe faltava ter que obedecer ao tempo das obrigações diárias do sino da Igreja!].
Nesse mesmo dia, talvez tenha decidido enveredar pelo caminho enlameado, que havia de o conduzir, tantas vezes mais, à porta desengonçada e velha, daquela que foi a sua amante predilecta [da que ficou conhecida, nos anais da família, como a Gata Gulosa…].
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[Depois… não voltou para casa antes de ser manhã feita. Cavalgou algumas horas pelas sombras dos montes e pelas margens do rio. E pensou em Lisboa… e deixou de pensar, porque lhe doía a cabeça e tinha um nó no estômago, apertado demais.]
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Foto de Afonso Costa, In Enciclopédia Lello e Irmão,

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A cor das horas...


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Hoje, resolvi passar por casa da minha mãe [descobri, há pouco tempo, que é leitora assídua deste blog…], porque talvez não venha a ter muitas tardes, assim, para conversarmos e comprovar que está bem e continua dona do seu nariz…
[Certamente, também a preocupei, a ela… como devo ter preocupado aqueles amigos virtuais que me deixam comentários apreensivos e/ou sensatos.]
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Aproveitámos para comparar notas e relembrar conversas, que ouvi nos idos de Setembros passados na Beira, sobre o meu trisavô… sobre a minha avó materna… sobre outros tempos que sempre me intrigaram.
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A maior parte das lembranças dessas conversas estão associadas ao colo da minha mãe, que aproveitava o final das tardes mornas para relembrar [também ela] as suas raízes, junto das mulheres mais velhas da aldeia, sentadas nas lajes graníticas, ainda quentes, das soleiras das portas da vizinhança amiga.
Eu fazia de conta que dormia a sesta de criança pequena, que era, e fingia a respiração pesada, de quem dorme um sono profundo [conseguindo não mexer a mão onde pousava uma mosca teimosa…].
Eram dois prazeres que não se esquecem. Um colo que nem sempre tinha no resto do ano, só para mim…e as conversas veladas sobre assuntos da minha família, que pareciam contos fantásticos e que eu não poderia ouvir, estando acordada…
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Outras lembranças vêm dos passeios ao lado da minha avó, pelas propriedades da família, que foram sendo vendidas ao longo dos anos, não tendo conhecido, eu, aquelas que foram o orgulho do meu trisavô. Apesar da minha avó não ser mulher de muitas palavras [por vezes, parecia falar sozinha], acrescentava algumas peças ao puzzle que fui construindo, ao longo do tempo [nos primeiros oito anos e meio da minha infância, que sempre me pareceram tão breves!…].
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Hoje, com a ajuda da minha mãe, descobri que esse puzzle tem muito de ficção... o que não lhe retira o encantamento que sempre me cativou… e que, nas minhas memórias de criança, os nomes e as personas se confundiram de uma forma bizarra, mas verosímil…
Desenhei a casa da minha avó e as imediações, tal como ambas a recordávamos… revimos nomes de companheiras das conversas vespertinas…reconstruímos um pouco da árvore genealógica daquele lado da família… e esquecemo-nos das horas [mesmo que estas não tenham as mesmas cores, para uma e para a outra…].
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E, apesar de sabermos, as duas, que sobre estas personas haverá de pairar, sempre, uma aura de mistério, que o tempo guardará… dedico este post à minha mãe [que nunca os comenta, mas os lê… e acredita que as palavras têm um poder de salvação…].
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Foto não tão recente, pormenor da sala da casa materna

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Da arrumação dos regressos…



[Noite]
[Manhã]
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Balbuciantes palavras, estas minhas…
Não é que não tenha escrito, durante estes dias, fora do Porto… Mas, foi um processo solitário, de manhãs roubadas, dentro de casa, onde o frio predominou, com aparições de chuva, sobretudo matinais.
O acordar foi sempre cedo, porque havia frio e humidade e demasiada luz a entrar no quarto… [Ainda bem, que a minha condição e reputação de friorenta, me fez levar camisolas de lã e calçado quente… duas tardes de sol, mais ou menos forte, foram um presente inesperado e gratificante…]
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Não é que não tenha falado, já que, no resto do dia estive sempre acompanhada.
Era um grupo, razoavelmente, grande e falar seria esperado… E trocar ideias…
Mas, nem tanto… As pessoas trocam, cada vez menos, umas com as outras. Ou, porque não têm grande coisa para trocar, ou porque não lhes apetece… [para não comentar a qualidade da troca, que é sempre subjectiva e, quem sou eu, para julgar os outros?].
Em certos contextos, há tendências que não parece valer a pena contrariar.
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Vence o monólogo, ou o silêncio, que terão as suas potencialidades, não sei… Não tenho grandes certezas quanto a isso. [Apenas sei, que tento contrariá-los quando dou aulas. Não tenho que o fazer quando estou de férias, embora a deformação profissional, ainda, me tenha sido apontada. Aí, calei-me, definitivamente]. E calar-me-ei, de futuro, em idênticas circunstâncias. Fica aquela sensação pobre, de estar a perder tempo, que eu não gosto de sentir, mesmo em férias…
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Que não se tratou bem de férias… mas, de trabalho. Quanto a isso, não há grande coisa a dizer, a não ser que correu bem. Pena é, que os últimos dias sejam, sempre, tão cansativos e nos façam regressar com a sensação de que quase adoecemos… e sem grande vontade de voltar a abandonar o ninho. Ficam os voos adiados, ou modificam-se as trajectórias… sonha-se em casa… escreve-se em casa… rondam-se lugares mais próximos…
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Mas, gostei desta semana, apesar da sensação da arrumação dos regressos [arrumação das malas e do seu conteúdo, arrumação das ideias que se construíram e da lembrança de algumas pessoas que, inevitavelmente, deixam a sua boa marca].
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Mesmo assim, ainda balbuciantes, as palavras teimam em enrolar-se. Teimam em não ser uma composição coerente… Ainda, sinto os lugares sobrepostos e a mente repartida.
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[Amanhã. Talvez amanhã… Amanhã acordarei cedo e verei o lugar onde a mente pousa. Depois… quem sabe, um pequeno voo, nem que seja virtual!...]
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Agosto em V.N. cerveira, Foto 1 e 2 casa do artista Foto 3 tarde de sol

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Saudades de um "menino" grande...


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Boas férias para o meu filho, de quem já sinto saudades...
Apesar de saber, que está onde quer estar, que está bem acompanhado, que não lhe faltará nada [a não ser o sol...], não deixo de sentir saudades.
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Também irei arrumar as nossas malas, para seguir na direcção oposta, metáfora do crescimento dos filhos e do largar amarras... sem deixar de gostar... sem deixar de querer... sem deixar de sentir...
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[Retemperados virão, espero, mais morenos e saudáveis, também... prontos para mais um ano de trabalho e incógnitas, porque, estar a caminho da idade adulta, não é nada fácil, mesmo se os adultos signficativos estão por perto... porque a vida deles nunca foi, realmente, nossa... e nunca tive essa pretensão...]
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Fotos não tão recentes do meu filho

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Uma metáfora para uma quarta-feira...



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Se há dias que custam a viver, ontem, foi um deles.
Sobram as consequências para a quarta-feira…
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E sobram para mim que, incapaz de pensar global, penso local.
Incapaz de relativizar, de momento, tudo se concentra nesta garganta arranhada, que parece inchada [por onde os alimentos doem a passar… quando passam], nesta irritante dor de cabeça, que não chega a ser [nem deixa de ser, mas que me faz lacrimejar], nas dores nos ossos e nas articulações [de tantas movimentações de um lado para o outro, carregada de tralhas pesadas].
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Penso: se chegar ao Verão…
Pois, se chegar ao Verão, talvez consiga aguentar mais um ano, assim… e mais outro…
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Já não é a primeira vez que tenho esta sensação, quase certeza, de que estico uma corda, de cuja resistência duvido muito. Nunca tive tempo para a substituir por uma mais forte. [Aliás, assumo que escrevo um metáfora… Qual corda? Substituir o quê?]
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Mas, bem que me lembro das cordas do baloiço da casa do meu avô paterno [num Setembro morno e quente da Beira Interior] … lassas, quase a rebentar…
Se não deixava os meus irmãos aproximarem-se, com medo, insisti eu em andar no baloiço todos os dias!
Subia por cima da latada e via a copa imensa da árvore de tília e o céu azul e pensava que não me custaria morrer, assim.
Acabaram por trocar as cordas a meio daquele Setembro em que, pelos vistos, desafiei a morte e não morri.
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Teria os meus dez anos, pouco mais ou pouco menos…
Cordas renovadas [e testadas por mim] e os mais novos tiveram direito ao baloiço, a tempo inteiro. Afinal, foi coisa de poucos dias.
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Houve muitos episódios quotidianos em que estiquei uma corda lassa e cheia de fios soltos da trança principal.
Se acreditasse em anjos ou na vida depois da morte, poderia pensar que a minha madrinha, ou o meu avô paterno, de onde estivessem, chamariam a si a tarefa de substituir a corda, que eu insisto em esticar, até poder rebentar.
[Mas não. Não acredito.]
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Hoje vou tentar curar, num só dia, esta sensação de mal-estar. Sozinha.
Finalmente, os vírus dos meus alunos apanharam-me! Quem me manda a mim estar tão próxima? Quem me manda a mim…
Aqui em casa, insistem em que eu devia evitar a proximidade física, lá fora.
Aqui em casa, incentivam-me a cultivar a distância, lá fora.
Aqui em casa…
Mas, a minha vida não se confina às paredes da minha casa.
Nunca me dei ao trabalho de contar quantas pessoas se relacionam comigo num só dia, lá fora!... Nunca me dei ao trabalho de contar como é importante a forma dessas relações, porque é. [E não consigo discorrer, com esta dor de cabeça, sobre essa importância…]
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Então, pensando local… penso global: é importante, para mim, a forma de todas as relações.
São importantes, para mim, pessoas de quem nunca me aproximarei, fisicamente, mas cuja integridade física me preocupa.
Por isso, faço o movimento inverso e relativizo, sob pena de continuar a esticar uma corda lassa... [sob pena de poder morrer por um metáfora!]
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E não adianta provarem-me, por A mais B, os efeitos nefastos da proximidade física, lá fora.
Apesar da fragilidade do meu corpo, mais que comprovada ao longo dos anos e desde que nasci [que sempre senti que me falhava, quando eu mais precisava dele], insisto em pensar que aguenta, porque eu quero, ou porque preciso dele.
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[Vou bebendo chá morno… Encharco o nariz com soro fisiológico… Protejo-me das correntes de ar, quando abro as janelas, para o renovar… e olho para a corda lassa… e penso que acredito que o miolo da trança é mais forte do que eu.]
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Foto de cordas, que resistem

sábado, 5 de abril de 2008

Do mar e de marinheiros que não fomos...


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Se eu fosse homem
era marinheiro.
Daqueles que vivem
no bar do cais
e descansam no mar.
Daqueles que vivem
das marés e do vento.
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Mas vivo na cidade
e sou mulher.
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Poema de 11.Fevereiro.1981
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[Porque, ao ler "Retrato de um marinheiro que nunca o foi...", do Outono de 1999, se tornou presente o que escrevi uns anos antes, sob o mesmo tecto! E, ainda, porque me lembrei do poema no Relógio de Pêndulo, de sexta-feira, 04 de Abril...]
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Foto de mar sem marinheiros, perto de Tavira

quarta-feira, 12 de março de 2008

Quarta-feira entre Festas...




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Ontem, a minha única sobrinha fez anos.
Amanhã, a minha única sobrinha fará a festa de aniversário.
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Ontem, cheguei demasiado tarde.
Amanhã, chegarei demasiado tarde.
Hoje, quarta-feira, entre as duas Festas de Aniversário, é demasiado cedo e é demasiado tarde...
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Para a minha única sobrinha é sempre a tempo e é sempre o tempo [compraz-me pensar que também já fui assim... e que, em tantas pequenas coisas, me revejo nesta menina quase a deixar de o ser...].
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E é linda a minha única sobrinha...
Tenho saudades das poucas noites em que ficou na casa da tia.
Pequenina, ocupava toda a cama imensa de casal.
Deixava-me a dormir num canto...
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Pela manhã, acordava com o cabelo loiro... loiro... todo revolto e pedia ovos mexidos para o pequeno-almoço.
O meu filho olhava-a, desconfiado [também mais pequeno, mas sempre mais velho e maior], a imaginar um dia de ciúmes silenciosos, que já começara na véspera, com o roubo da cama da mãe.
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Depois, mesmo chuviscando, o prometido era devido.
Rumo à praia...
conversas com todas as crianças...
abraços e beijos em todos os cães...
primeiro, descalça...
depois, meia despida...
Porque o sol fazia-lhe a vontade!
E aparecia... quente e ameno
para não queimar a alvura
da pele, branca... branca...
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Parabéns distantes
para a minha
única sobrinha.
[Não no espaço... mas no tempo.]
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Foto de uma vida nova e curiosa à procura de tudo e de nada

sábado, 1 de março de 2008

Pomba... ao sol


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No meu passeio de hoje, também encontrei uma pomba ruiva, bem nutrida e com um ar feliz...
Foram as sombras dos ramos das árvores que cativaram o meu olhar... mas, havia pombas por todo o lado.
Voavam sobre nós em voos picados, não sei porquê.
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[Aqui em casa, acham os meus posts deprimentes, por isso, aqui está ela.]
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Não chorava há muito tempo. Mas, enfim...
Parece que chorar é sinal de debilidade. E é Um Ar De qualquer coisa que nunca me ficou bem, pelos vistos, ou como está visto.
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[Do que não gostei, também, foi do sabor salgado e doce do café com leite.]
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ao sol das duas da tarde, Foto de uma pomba ruiva

sábado, 10 de novembro de 2007

Aos meus irmãos e à nossa infância



A velha e o ladrão.Era uma vez uma velha que vivia sozinha, numa casa um pouco afastada do povoado.
Numa noite escura como breu, onde não se via um palmo à frente do nariz, a velha desceu as escadas de pedra, geladas pela aragem fria da noite, com o balde da comida para os porcos. Olhou à volta e pensou alto:
- Bela noite para ladrões.
De repente, saltou-lhe à frente um estranho vulto negro.
- À porta os tens, velha!
A pobre senhora tremeu dos pés à cabeça. Por pouco, não deixava cair ao chão o balde da lavagem. Todavia, habituada à solidão e aos perigos que esta acarreta, encheu-se de coragem e tentou pensar, rapidamente, no que poderia fazer para dar a volta à situação.
- Ora, meu caro senhor – Disse muito serena pousando o balde – qual ladrão, qual carapuça. O senhor é um pobre desgraçado que se perdeu nesta noite escura e sem luar e teve a sorte de vir parar à minha humilde casa, onde lhe vou preparar um belo jantar. Estou para aqui tão sozinha, que me vai saber muito bem a sua companhia.
O ladrão ficou meio atrapalhado, não sabia bem o que fazer – se saltar para cima da velha e pô-la a dormir com um safanão, ou esperar que ela entrasse para lhe roubar os parcos bens. Pensou um pouco e achou que ficaria a lucrar se primeiro jantasse e depois a roubasse. Vendo bem, já há uns dias que não comia uma refeição caseira e, se ela fazia questão, porque não aproveitar.
Lá subiram os velhos degraus de pedra, como se de dois amigos se tratasse e entraram na casa humilde que cheirava a enchidos e a compota de maçã com canela.
A velha mandou-o sentar, observando-o de esguelha e pensando como poderia livrar-se daquele homem que não podia ter um ar mais malvado do que aquele que tinha: sujo, mal barbeado, olhos de cão raivoso, cabelo negro desgrenhado, unhas pretas e compridas, quais garras prontas a atacar. Mas a velha já tinha vivido muito, passara por grandes privações, era uma mulher obstinada e, definitivamente, não lhe estava a apetecer morrer naquele dia.
Ofereceu-lhe sopa de couves, cheirosa e quente, sardinhas acabadas de fritar em ovo e farinha, sobre fatias de broa fresca, bem regadas com o vinho mais forte que conseguiu ir buscar à adega, com os olhos pequenos e desconfiados do ladrão a seguirem-lhe todos os passos.
Mas fez de conta que não reparava e tratou de nunca lhe deixar o copo vazio.
Já bem bebido e comido, a velha resolveu começar a executar a segunda parte do seu plano.
- Ó meu pobre senhor, o que a vida lhe tem feito! Magro como um cão, sem lar, sem família… deve sofrer muito…
O homem, bem satisfeito, já descontraído e mais sossegado, porque a velha, para além de nem suspeitar das suas intenções, ainda lhe dava tempo para descansar de tão apetitosa refeição, foi acenando, que sim, com a cabeça e encostou-se na cadeira.
- Olhe – continuou ela – quem sofreu e sofreu muito, foi o meu pobre pai. Lembro-me como se fosse hoje. Em novo, era um touro de saúde e vigor. Não havia pedra que não conseguisse levantar… não havia potro que não conseguisse domar… e dava-nos cada sova que nos deixava sem sentidos. Mas a justiça de Deus não tarda. Um dia, vá de ficar entrevado numa cama, à conta de uma ferida que nunca mais sarou.
O ladrão estava encantado. Já não se lembrava de lhe contarem histórias desde o tempo em que a sua mãe era viva. E há quanto tempo isso acontecera. Deixou-se ficar mais um pouco e recostou-se ainda mais na cadeira. Estava a sentir uma sonolência agradável e reparadora. Mas a velha continuou:
- Sofreu muito o meu falecido pai. Desde essa altura, nunca mais teve sossego. E quando lhe fazíamos os curativos? Berrava que nem um doido. Vou-lhe contar como era – e, de repente, a velha abriu a boca e desatou a gritar com quantas forças tinha – Aqui d’ El Rei que me estão a matar! Socorro que me matam! Aqui del’Rei que me matam!
O ladrão, que até ali, estava embevecido com o simpático e inesperado serão, deu um salto na cadeira.
- Cale-se mulher! A aldeia não é assim tão longe e hão-de pensar que alguém a quer matar a si!
A velha, cujo objectivo parecia estar prestes a ser desmacarado, retorquiu com um sorriso muito calmo:
- Esteja descansado, meu caro senhor, na aldeia todos conhecem a história do meu pobre pai. Já estão habituados a ouvir-me contá-la a quem me visita. Não vão ficar nada admirados. Não seria a um salteador ou malfeitor que eu me poria a contá-la num serão. Mas, como eu ia a dizer, o meu pai sofreu demais. Apesar de ter sido duro com os filhos, a mulher e toda a gente, não merecia tal agonia.
E a velha continuou em altos berros a descrever o sofrimento do pai, cada vez mais alto e com mais realismo. Por seu lado, o ladrão não se sentia nada descansado e não ficou surpreendido quando se ouviu bater à porta um vizinho preocupado.
- Ó tia Joaquina, a senhora está bem?
- Não se preocupe – disse a velha ao ladrão, tentando disfarçar o nervosismo – Eu já lá vou explicar-lhes que tenho uma visita em casa e estou a contar a história do meu pobre pai.
O ladrão ficou de atalaia, sem deixar de a vigiar, com a mão na faca que tinha presa na liga, não fosse dar-se o caso de precisar.
A velha abriu a porta, piscou o olho ao vizinho e disse, com o ar mais tranquilo do mundo:
- És tu, ó Ramiro. É que estou com uma visita, um santo homem, que não conhecia a história da morte do meu pobre pai. Sabes? Aquela agonia horrível que acordava toda a aldeia…
É claro que a velha tinha inventado a história do pai, a chaga que nunca se curou e os gritos de loucura. O pai da velha tinha morrido, era ela uma criança, depois de uma noite de bebedeira em que escorregou de uma ravina e partiu o pescoço. Todos se lembravam muito bem disso. Na manhã seguinte, homens, mulheres e crianças percorreram o caminho de volta a casa à procura do seu rastro, quando deram com ele no fundo do penhasco.
O tio Ramiro percebeu tudo. Rapidamente, assomou à entrada da porta e cumprimentou o intruso, cordialmente.
- Então vá, tia Joaquina, continue lá com as suas memórias e uma santa noite para os dois.
Lá saiu, pondo o chapéu na cabeça.
O ladrão tirou a mão da faca, mais descansado, ainda um pouco nervoso, mas dispôs-se a continuar a ouvir a velha que já lhe servia mais vinho, como se nada fosse.
- Bons vizinhos que eu tenho. Pena que não estejam mais perto. Percebe agora porque me dá tanta alegria tê-lo aqui e poder contar-lhe estas histórias do meu passado de velha cansada…
Lá continuou a descrever a doença do pai… como um homem forte e arrogante acabou um fraco cheio de dores e sofrimento.
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Não passaram mais de dez minutos, quando todos os homens da aldeia, armados de varapaus e enxadas irromperam de surpresa pela porta da frente e das traseiras e imobilizaram o ladrão. Tão surpreendido ficou que pouco ou nada se debateu.
- O raio da velha! – Dizia ele – O raio da velha!
Finalmente, a tia Joaquina sentou-se numa cadeira e sentiu os joelhos a tremer e o coração a bater no pescoço.
- Então? – Disse o tio Ramiro – Não é agora que se vai abaixo, depois de ter sido tão corajosa. Aquela do seu falecido pai não lembra ao diabo! C’um raio. Vossemecê, é danada!
Enquanto levavam o ladrão bem preso, todos se riam e admiravam a coragem da velha.
A tia Joaquina rezava um pai nosso e bebia o resto do vinho forte que servira ao ladrão.
- Acho que estou a precisar! – Pensou em voz alta.
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Adaptado por Um Ar De, a partir de um Conto Popular, contado pela nossa mãe
Silvares, Fundão

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 Foto retirada da net
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sábado, 22 de setembro de 2007

À distância... em 2007


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Ontem, quando me despedi dos encarregados de educação, na escuridão de uma sexta-feira, ao cair das 21:00 horas, lembrei-me desta foto em que ainda não teria 1 ano e meio, pouco tempo depois de a minha irmã ter nascido.
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Vivi na casa da escola, em Abrantes, até aos 6 anos de idade. Os meus pais pegaram nos haveres e nos 4 filhos e concorreram os dois para Lisboa, Porto e Coimbra.
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A minha mãe não queria que os filhos sofressem a separação dos pais quando chegasse a hora de tirarem um curso superior. Tinha sido uma experiência dolorosa para ela, certamente.
E ficámos todos juntos no Porto, que passou a ser a minha cidade, mas nunca a amei, como se pode amar um lugar.
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Se me tivessem perguntado se eu queria sair de Abrantes, aos 6 anos, eu teria dito que não.
Se o tivessem feito mais tarde, quando fosse altura de tirar o tal curso superior, eu teria dito que não.
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De facto, os pais que aparecem nas reuniões com os Directores de Turma mostram que querem o melhor para os seus filhos, mesmo quando, raramente, lhes perguntam o que eles querem. Mesmo quando nos dizem que, se for preciso, puxe-lhe as orelhas, ou bata-lhe... [Não estão a ver-me, apesar de ser demasiado alta, mas a pesar 53 quilos, a bater num desgraçado(a) de um(a) aluno(a) de 10º ou 11º ano, não é?]
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Então, ao sair do portão da escola, a relembrar os rostos dos pais e das mães dos meus alunos e alunas, pensei que é quase como ter outra turma, de gente mais velha, que olha para mim como se eu tivesse a solução para problemas tão maiores!... E que acreditam nisso!
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Lembrei-me dos meus pais e das escolhas que eles fizeram por causa dos filhos. Lembrei-me dos meus dois irmãos mais novos deixados ao cuidado e aos caprichos, da irmã mais velha, porque o Porto era uma cidade desconhecida... Lembrei-me da minha mão esquerda, picada vezes sem conta no mesmo ponto, pelo alfinete das fraldas do bébé, para não o picar a ele.
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Lembrei-me de como o ar de tristeza e de febre, desta foto, anunciava a sensação futura de me terem roubado o lugar de uma princezinha [que até vivia numa casa com um jardim rodeado de ameias], para me transformarem numa gata borralheira! E que nunca me perguntaram nada. Se queria, se podia, se era capaz... Porque tinha 6 anos!?
Nos dois meses de mudanças para o Porto tive que crescer o dobro, certamente.
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Estes pais e estas mães... confiam em mim, tal como a minha mãe e o meu pai o fizeram, para os substituir e superar (até), para cuidar dos seus filhos e filhas, enquanto estão na escola.
Ninguém se substitui aos pais. Raramente os filhos aceitam esta inversão de papéis. A minha irmã nunca aceitou e eu percebia! Nomeadamente, quando já têm mais de 15 anos...
Como se adiantasse dizê-lo!... É necessário e a necessidade tem muita força.
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Talvez, por isso, os meus pais não me perguntaram se eu queria, se podia, se era capaz... As marcas do alfinete fizeram prova da minha responsabilidade precoce.
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Que outras opções havia? Que outras opções existem, hoje? Quase nem vemos os filhos. Estão fora de casa o dia todo. Têm treinos à noite e jantam à hora de ir para a cama. Sou eu que almoço com eles na cantina. Eu é que sei o que eles comem... e o que deixam no prato. Mas não é sempre, nem com os mesmos. Não tenho o dom da ubiquidade.
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Quanto ao que aprendem nas disciplinas do currículo e ao que se lhes ensina, para já, não pareceu grande preocupação.
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Se simpatizei com eles? Claro que simpatizei. Se os entendo? Entendo.
Mas é mais uma turma, no meu horário de trabalho, para a qual terei que preparar outros materiais e definir outras estratégias de interacção.
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Numa semana, conheci centenas de pessoas diferentes.
Certo é, que não me foram, nem são indiferentes. E disso, eu já tinha saudades.
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Porque nem tudo foi prosaico!...



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A "obra" no corredor e outas "obras" interiores (a meu cargo) foram interrompidas para irmos à inauguração da Bienal de Cerveira.
Outas obras relevantes se impunham!
Nomeadamente, o artista convidado e autor desta instalação, que se expõe na foto (ainda na fase de montagem, em finais de Julho), convinha que estivesse presente.
Vale a pena ir, não só por causa do Deambulatório, esculturas em cerâmica pendentes e com movimento pendular, mas porque há jovens artistas interessantes, como deve ser (e outros não, como também é costume...). [Há muito mais coisas, mas eu não sou o arauto da Bienal de Cerveira, convenhamos.]
Embora não tenha conseguido ver tudo, como é típico nas inaugurações, com os encontros e desencontros e etc..., consegui entrar na câmara onde está a autêntica e genuína Ribeira Negra do Júlio Resende. Poucas palavras haveria a acrescentar, a não ser "vão ver". No entanto, as telas parecem ter sido muito mal guardadas, pelos seus (in) fiéis depositários. Sofreram os estragos da humidade, mais do que do tempo!...
Mas não lhe retiram a magnitude da ribeira negra. [Porque é que estas coisas acontecem neste país? É embaraçoso... pelo menos, eu sinto-me mal!]
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Foto do "Deambulatório" instalação de esculturas cerâmicas de João Carqueijeiro

domingo, 29 de julho de 2007

Saudades de um baloiço verde e do meu avô...

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Quero o baloiço
da latada verde escura.
Vou esquecer
que o cimento a invadiu
o baloiço enferrujou
e que os meus olhos
estão cada vez
mais pequenos.

No tempo do baloiço
as uvas verdes
eram doces
os vasos eram maiores
os patins voavam
o avô mandava mais
e eu cabia no baloiço!

Agora, o avô dura
nas tardes doentes,
deitado em sofás
de plástico…
Já não diz nada.
As fotos coloridas
não existem
ou estão cinzentas.


04.Jan.1980
[Do verde, só as palavras têm a cor da memória: de um baloiço, dos pinheiros da infância e da saudade de um avô, que perdi…]