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domingo, 25 de setembro de 2011

Tempo de Falta de Tempo...

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Chegou o tempo de pensar na falta que me faz o tempo...
Tempo de calçar meias nos pés
Tempo de chegar cansada a casa
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Tempo de Escola
Tempo de não perder tempo
Tempo de não ter tempo
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E sinto saudades das pequenas irrelevâncias que se apanham no chão e de brincar com elas nas minhas mãos, sem pressa.
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Sinto saudades do Agosto interrompido e, mesmo assim, Agosto e Verão!...
Também recordo o livro que ficou a meio e ficará... [assim, que eu sei.]
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Continuo zangada com ele: avaro, como sempre!
Há zangas que duram uma vida inteira...
[enquanto o tempo passa e eu fico mais velha.]
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Foto tirada por JC, no Jardim Botânico, princípio de Setembro de 2011
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domingo, 28 de dezembro de 2008

Ele que venha... o Tempo

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Tempo.
Tic. Tac. Tic. Tac... ... ... ...
Quando um ano termina, ou está para terminar, acentua-se esta minha má relação com o tempo.
Dou comigo a pensar que, no próximo ano, talvez seja capaz de mudar esta [in]disposição para aceitar a falta de tempo.
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Pois, não vou predispor-me a mudar nada.
Ele que venha... o Tempo.
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[E que se mostre avaro, como de costume, que eu não vou discutir com um a priori!]
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.Foto de Alberto Viana d'Almeida, in olhares.com

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A cor das horas...


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Hoje, resolvi passar por casa da minha mãe [descobri, há pouco tempo, que é leitora assídua deste blog…], porque talvez não venha a ter muitas tardes, assim, para conversarmos e comprovar que está bem e continua dona do seu nariz…
[Certamente, também a preocupei, a ela… como devo ter preocupado aqueles amigos virtuais que me deixam comentários apreensivos e/ou sensatos.]
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Aproveitámos para comparar notas e relembrar conversas, que ouvi nos idos de Setembros passados na Beira, sobre o meu trisavô… sobre a minha avó materna… sobre outros tempos que sempre me intrigaram.
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A maior parte das lembranças dessas conversas estão associadas ao colo da minha mãe, que aproveitava o final das tardes mornas para relembrar [também ela] as suas raízes, junto das mulheres mais velhas da aldeia, sentadas nas lajes graníticas, ainda quentes, das soleiras das portas da vizinhança amiga.
Eu fazia de conta que dormia a sesta de criança pequena, que era, e fingia a respiração pesada, de quem dorme um sono profundo [conseguindo não mexer a mão onde pousava uma mosca teimosa…].
Eram dois prazeres que não se esquecem. Um colo que nem sempre tinha no resto do ano, só para mim…e as conversas veladas sobre assuntos da minha família, que pareciam contos fantásticos e que eu não poderia ouvir, estando acordada…
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Outras lembranças vêm dos passeios ao lado da minha avó, pelas propriedades da família, que foram sendo vendidas ao longo dos anos, não tendo conhecido, eu, aquelas que foram o orgulho do meu trisavô. Apesar da minha avó não ser mulher de muitas palavras [por vezes, parecia falar sozinha], acrescentava algumas peças ao puzzle que fui construindo, ao longo do tempo [nos primeiros oito anos e meio da minha infância, que sempre me pareceram tão breves!…].
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Hoje, com a ajuda da minha mãe, descobri que esse puzzle tem muito de ficção... o que não lhe retira o encantamento que sempre me cativou… e que, nas minhas memórias de criança, os nomes e as personas se confundiram de uma forma bizarra, mas verosímil…
Desenhei a casa da minha avó e as imediações, tal como ambas a recordávamos… revimos nomes de companheiras das conversas vespertinas…reconstruímos um pouco da árvore genealógica daquele lado da família… e esquecemo-nos das horas [mesmo que estas não tenham as mesmas cores, para uma e para a outra…].
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E, apesar de sabermos, as duas, que sobre estas personas haverá de pairar, sempre, uma aura de mistério, que o tempo guardará… dedico este post à minha mãe [que nunca os comenta, mas os lê… e acredita que as palavras têm um poder de salvação…].
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Foto não tão recente, pormenor da sala da casa materna

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Se o dia tivesse 28 horas...

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Não percebo como as horas se escoam nos meus dias, nas minhas noites, nas minhas mãos e na minha mente, com um tal desperdício!
Volatilizam-se, de uma forma, completamente, indecente.
.Se recuar nas horas, até épocas passadas, julgo que nunca me achei lenta. Bem pelo contrário, sempre me vi superficial e apressada, ansiosa por acabar tarefas e começar outras. [Não ostentava esta minha faceta, como se poupar tempo fosse algo heróico. Afinal, a nossa cultura acredita que tempo é dinheiro, mas defende que a pressa é inimiga da perfeição. Assim, eram segredos meus…]..Agora, não me livro dos meus muitos trabalhos. Acabo um e outro se perfila altivo e arrogante à minha frente: no écran do PC; na mesa onde trabalho; a sair da pasta que anda comigo [plasmados na minha memória, nessa agenda inesgotável do que tenho que fazer … e na outra, à qual recorro porque a primeira se deteriora!] ..

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Se o dia tivesse 28 horas!...
Não seria gananciosa, ao ponto de pedir mais.
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 Foto de escadas, metáfora das minhas horas

domingo, 6 de janeiro de 2008

O chão que piso?


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Este parece ser o chão que piso.
Mas será que sei, como ando a percorrer as superfícies que piso e repiso?
.Acho que não. Diria, mesmo, que não!
Os dias continuam a passar por mim sem eu sentir que participei, realmente.
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Tenho-me queixado de falta de autonomia... que dependo de tudo e de todos para realizar seja o que for. Parecem-me queixinhas pardacentas para me desculpar desta má notícia que me estou a dar [e que se anuncia há uns tempos largos, com muitos disfarces e inúmeros sintomas, que eu, numa descuidada superficialidade, não quero ver].
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Certo é, que me parece ter perdido a capacidade de improviso. [Por vezes, dá tanto jeito e é a melhor resposta para o imprevisto, para a rotina, para a decepção, para o tédio e para a falta de vontade de lidar com os outros (e, porque não, admitir que me cansam, de uma vez por todas?)].
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É que eu não creio que exista improviso sem plano, da mesma forma que não creio que se invente a partir do nada. A invenção pressupõe um acumular de experiência que, de repente, pode transformar-se num novo sentido [assim, como uma espécie de insight].
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Perdi qualquer coisa fundamental, sem dúvida [terão morrido, precisamente, aqueles neurónios que me davam essa frescura mental para planificar e essa disponibilidade para inventar?...].
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Ou é mesmo uma imensa falta de vontade para continuar a fazer o que faço?.
Piso o chão. Repiso este chão.
E o tempo passa. É mesmo um perdulário… o tempo que passa.
[Como costumo dizer e desta vez não o digo a brincar, o tempo é um novo rico! E eu não gosto nada disso.]
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