quinta-feira, 23 de abril de 2009

Por um quarto de hora...

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Tenho-me expressado por aforismos, nem sempre com eloquência e convicção.
Talvez tente esconder a falta de tempo… de assunto… de vontade…
Os dias passam-se entre Porto-Póvoa-Porto-Póvoa-Porto-Póvoa
Nem sempre, sei qual a direcção das minhas viagens e permanências.
A minha casa e as pessoas que a habitam ditarão o sentido do início e do fim destas viagens.
De segunda a sexta, a quase totalidade do meu estado de vigília é passada na Escola. Os meus sonhos cansam-me as noites, disparatados, referenciados a corredores apertados, a monoblocos abafados, a obras que nunca mais acabam...
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Quantas vezes, na chegada, procuro o silêncio de um sono profundo, apenas!...
Cansam-me as pessoas e as palavras [… e como parecem gastar-se, demais, para se esbanjarem com tão pouca parcimónia!...].
Sem qualquer tranquilidade, aguardo o fim das aulas, tal como os alunos e, quem sabe, a mudança para outra Escola, mais perto de casa…
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Com a preocupação de cumprir planificações anuais, que não contemplam imponderáveis e imprevistos, as aulas tornam-se maçudas para alunos e professores. Sem querer generalizar e sem pensar em todas as tarefas que continuamos a inventar, para nos complicar os dias, parece que não há tempo para outras dimensões do espaço e do tempo das aulas.
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No entanto, hoje… passada que foi mais uma quarta-feira, depois da apresentação de um dos trabalhos de grupo de uma turma de 12º ano [daquelas que chamamos atípicas, na esperança de não apanharmos, tão cedo, outra igual!], sobrou algum tempo de aula.
Não tinha previsto que acabassem tão cedo. Não tinha pensado nos habituais “Planos B”, que me livram de embaraços deste tipo, talvez por andar tão cansada, ou por não esperar dos alunos um desempenho tão eficiente?
Lembrei-me de perguntar, a todos [ainda sentada nas carteiras do fundo da sala, as mais pretendidas, sempre…], se o trabalho que tinham apresentado teria alterado, de forma positiva e importante, as opiniões pessoais quanto ao tema…, se tinham gostado de o fazer e de o apresentar…, o que é que tinha mudado, se é que tinha mudado alguma coisa…
Não deixei de pensar que estaria a arriscar um fim de aula turbulento, sem regras estabelecidas, a deixar-lhes todo o espaço para as palhaçadas do costume, a acabar mais uma aula com uma voz de comando [que nem me fica bem!… como diria alguém que eu conheci há muito tempo…] mas, da qual tenho abusado, nos últimos meses...
Pois, ainda bem que arrisquei. Das respostas deles e da minha atenção, ainda sentados do mesmo lado da sala, foram partilhadas expectativas, sonhos e apreensões, quanto aos dias que virão, depois de deixarem esta Escola. Para estes alunos, ela foi o cenário da maior parte das suas horas de vigília, também...
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Quase não ouvimos o toque da saída. Arrumámos as mochilas e os sacos. Saímos quase silenciosos. Percorremos o corredor estreito, entre os monoblocos [que, afinal, não foram tão provisórios, assim…], lado a lado.
Acho que nunca o fizemos, desta maneira. Senti a solenidade do momento. Por um quarto de hora, nem que tenha sido, apenas, por um quarto de hora, fomos a turma perfeita – alunos e professora.
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[Sei que é este instante que vou querer recordar. O instante quase mágico com a única turma finalista do Curso Tecnológico de Desporto de 2008/2009…]
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foto de helder rodrigues s/título, in olhares.com