terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Das flores silvestres...


.Passei a manhã sentada em aulas de testes [e a tarde também…]. Alguns blocos de 90 minutos, nesta modalidade, correm bem, outros nem tanto.
São aulas de que não gosto, mesmo nada.
.À hora de almoço, antes de ir até à cantina, resolvi sair, para andar um pouco e descobri pedaços de relvado com aquilo a que eu chamo margaridas selvagens..Em Março, na Beira Interior, colhem-se muitas e juntam-se, com o pedúnculo do mesmo tamanho. Fazem-se uns bouquets sumptuosos.
Por lá, chamam-lhes flores silvestres e há uma quantidade e variedade incomum, onde predomina o amarelo, o azul anilado e o lilás..Ora, esta pequeníssima margarida, assim como outras, estavam solitárias no meio do verde, numa inversão das cores que eu mais gosto nestas flores: margaridas amarelas com olho verde..Também encontrei canteiros com amores-perfeitos, arranjados pelos jardineiros da Câmara [enquanto têm orçamento para estas veleidades…]. Mas não são os meus preferidos.
.Esta flor fez-me pensar que tenho feito um esforço por vencer o cansaço [que se abate, violento e incómodo sobre a minha pessoa, quando chego a casa], que tenho tentado, veementemente, fazer pequenos intervalos para retemperar forças e reparar nas pequenas coisas, à minha volta. Ando de máquina fotográfica na mochila e gravador….Não, não estou a produzir nenhuma investigação etnográfica, nem tenciono escrever qualquer tese sobre alguma matéria afim..
Acho que estou, muito simplesmente, a aplicar uma auto-terapia… Logo, resta acrescentar que talvez me sinta doente!
Uma doença daquelas
[daquelas que se desdobram em sintomas e que ninguém sabe o que são e que acabam com o nome de síndromes de não sei o quê!]
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De qualquer forma, esta flor solitária, quase insignificante, num pequeno passeio [também ele solitário e quase insignificante], fez o meu dia!
.O que diria um(a) psicoterapeuta, profissional e diplomado(a), deste meu imenso esforço, para encontrar o contra-peso para dezenas de folhas de testes que também trouxe comigo?.Não sei... Talvez me congratulasse por, finalmente, ter descoberto a importância das pequenas insignificâncias para ser feliz. E talvez me incentivasse a continuar nos meus passeios, a tentar encontrar-me a mim própria… E talvez acabasse a consulta, perguntando – E, então, não acha que se sente melhor?.[se me passasse pela cabeça gastar o tempo e dinheiro desta forma, não querendo mandar para o desemprego estes técnicos de saúde, obviamente], eu responderia:- Sem dúvida! Muito melhor. – num tom de assertivo bluff, que mais bluff não poderia ser….Os testes aguardam uma correcção meticulosa [nada prometedores de eloquência, pelo que me foi dado observar…] e a margarida está aqui, pronta a ser partilhada – solitária, quase insignificante e selvagem... se conseguirem vê-la... no meio do rectângulo verde... como eu a vi... num passeio... solitário e quase insignificante...
.Não teria sido capaz de a colher e trazer na mão. Lá ficou, não muito longe dos amores-perfeitos..
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29 janeiro 2008, Foto de um pedaço de jardim público