sexta-feira, 20 de junho de 2008

Dos espelhos, da imagem e do(s) duplo(s)

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Estou sozinha em casa, durante todo o fim-de-semana. Podia ter pedido para me trocarem o serviço de vigilâncias e, talvez, tivesse conseguido. A esta hora estaria em S. Martinho do Porto [e seriam dois dias diferentes...].
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Acontece que, todos têm imenso trabalho e não tive coragem de pedir para me alterarem o calendário. Depois, também tenho muito com que me ocupar, neste sábado e neste domingo, para que a próxima semana e a outra [que ainda há-de vir] possam correr o melhor possível.
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Uma, das muitas tarefas, tem a ver com uma pequena monografia sobre a importância da imagem para... para acabar um relatório de uma acção de formação, nada bem sucedida e muito cansativa, onde as questões da imagem se colocam.
No entanto, nunca deixa de ser um pretexto para investigar [já que as aulas e os objectivos mínimos, a que os alunos obrigam, estimulam muito pouco a escrita e a leitura do menos óbvio].
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Este estado ocasional de solidão forçada [que, sendo noutro lugar e por vontade própria teria outro sabor...], fez-me pensar na imagem como a possibilidade de reflectir sobre o conceito do duplo e dos outros eus. Daí, esta imagem especular... daí, a superfície que permite o reflexo... daí, a imagem da imagem.
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Sempre me fascinou fotografar máquinas de filmar, filmar máquinas de fotografar...
Mas, nunca a imagem [fotográfica, ou fílmica] se me ofereceu ao olhar com a ingenuidade que parece prometer [e que, inicialmente, quer na fotografia, quer no cinema, se anunciava como tal, mas, por pouco tempo...].
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Antes de tudo isso, já sonhávamos!... E não são lineares e fáceis, os sonhos, para quem deles se recorda, porque acorda [e, muitas vezes, os escreveu, quais curtas metragens!...].
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[Esta noite, é um augúrio de sonhos de sonos interpolados e duplos de mim e de outros. Espero acordar e guardá-los, no pequeno gravador que me ofereceram, quando eu e o tempo começámos a ter uma má relação. Não lhe chamaria de amor e ódio. Embora precise muito dele, não consigo amá-lo o suficiente para o odiar. Acho que nunca conseguirei... problema meu, não do tempo!]
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Foto retirada de PowerPoint - Mirror