quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Das mãos e da sua serventia...


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Depois de tantos dias sem escrever, aqui, parece que perdi o treino… ou a vontade.
As minhas mãos pressionam as teclas, hesitantes. Tentaram escrever outras escritas e desistiram. [Apenas algumas anotações, que julguei úteis...]
Não terei muito para dizer.
Talvez me apetecesse fazer!...
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Questiono o sentido das férias… Se são para retemperar o corpo, apenas me fizeram senti-lo mais, naquilo que, dolorosamente, teria para me dizer. Para poder descansar, supostamente, tive que o ignorar, até onde pude… até onde deu, para o conseguir… Lá o carreguei, de um sítio para o outro, naquela tentativa de contrariar a modorra que sentia [sem horários para cumprir e horas para chegar…].
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Não fui feita para descansar, creio eu. Sem grandes expectativas [ou nenhumas] aguardo outras saídas, não tão episódicas e outros regressos. As minhas mãos anseiam por outras ocupações. E começo a perceber que as tais férias [conceito que só faz sentido porque trabalhamos demais… nos cansamos demais… e não paramos quando queremos…] caminham para o seu fim. Fica a sensação de desperdício. Fica outro tipo de cansaço. Fico sozinha com as minhas mãos…
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E resolvo que não estou de férias. Que é melhor pensar assim… que é melhor não pensar nelas… que é melhor deixar-me levar para onde me chamam e esquecer a promessa de descanso, porque não sei descansar… [não sei porque desaprendi tanta coisa, com o tempo… até a conviver com o próprio tempo, mesmo quando pus o relógio de quarentena e não olho para as horas que passam… porque sei que passam…].
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Sinto as mãos vazias. Lamentavelmente, não me servem… não são as mãos que tanto me serviram… e não sei como olhar para elas, sem as sentir tão estranhas, tão pouco minhas. E não preciso de espelhos para confirmar tal estranheza. Consigo olhar para elas, aqui de cima, dos meus olhos… que insistem em latejar, quase a doer…
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Será da idade, mas não me apetece viajar para destinos turísticos… Não me compraz a ideia de poder enfiar-me num avião e chegar a um sítio exótico, só porque é exótico, confirmar esse dado, deixar tanto por conhecer... e voltar, com um punhado de lembranças, cada vez mais digitais e em formato de fotografia…
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[A viajar para longe… longe… a minha vontade seria nunca mais regressar. A minha vontade seria ficar e dar às minhas mãos outras serventias, ocupá-las em outros lugares e trocar as voltas ao tempo, talvez… quem sabe…na ilusão de que pudesse recomeçar…]
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de Marlene, Foto de olhares.com