sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Do dormir e do acordar...


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De que vale acordar cedo?
Ainda em época de interregno de férias, acorda-se para um pequeno-almoço... para um banho e roupa lavada... para mais um dia [mais mal ou bem humorado... mais mal ou bem passado].
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Não sei se foi ontem, se foi anteontem... que passei pela antiga Baixa portuense, a pé.
Há pessoas que devem achar que não vale a pena acordar... mas lá estão, de mão estendida, com longas mensagens escritas em cartões, como no tempo em que eu era miúda e passava pela Baixa portuense, menos antiga [por razões da minha pouca idade, na altura]. Ficava para trás, para tentar ler... Alguém me puxava pelo braço, com um esticão, depois de deixar uma moeda, porque a miséria alheia não se contempla, que é falta de educação!...
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Em tão poucos anos [afinal], o passado revive-se no presente, nestes rostos estranhos...
As trajectórias, dos que passeiam pelas ruas, tendem a esquivar-se e muda-se a declinação da passada.
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[Ainda tento ler. Ainda alguém me puxa, pelo braço, porque me esqueço de declinar a passada. Por outras palavras, o que lá está escrito, com erros ortográficos, tinta desbotada e retocada, podia ser a pergunta - Vale a pena acordar?...]
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Foto de Carlos, in olhares.com