domingo, 16 de março de 2008

Junções e (dis)junções...


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São marcas de um chão que, ontem, pisei.
Junções e (dis)junções...
... Metáfora da reunião, quase secreta, para a qual fui convocada a participar...
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Curiosamente, quando cheguei a casa, já tarde e demasiado cansada [com este à parte na rotina habitual dos meus sábados... e domingos], não trazia uma reportagem da reunião, ou do jantar que se seguiu.

Trazia pedaços do chão que pisámos, dos objectos pousados nas mesas, das colunas que fazem de pilares da galeria.
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- Quando apareces? - perguntaram na despedida.

- [...] - terei (não)respondido com um sorriso tristonho e de circunstância [a alguém que me é tão caro, apesar das nossas pequenas (dis)junções, também elas, circunstanciais].
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Para responder teria que mudar tanta coisa no meu quotidiano [na minha vida]!... Por isso, [...].
Mas foi um grito que não gritei [não seria o lugar..., nunca é o lugar para gritar].
É essa mudança que me engasga e se prende na glote todos os dias.
Mudar. Transformar. Fechar portas para abrir portas [eu sempre detestei portas].
Normalmente, portas fechadas são espaços que não visito, ou revisito, nunca mais...
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Pisar outro chão, com junções e disjunções, fez-me ver a urgência de inventar o tempo para mudar. Fotografar as colunas brancas fez-me perceber os meus esforços monolíticos de todos os dias que passam e pesam e cansam [e pouco mais haverá a dizer...].
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Mais uma vez, o que é urgente e não é resolvido como tal, perderá o carácter de urgência e passará a pendente. Se não me acautelo, com o tempo que passa, acabará por ser assunto que o próprio tempo acabará por resolver, entalado na minha glote e sem a minha intervenção.
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[Relembro uma espécie de máxima, num contexto diverso, de um Outro, com o qual também partilhei (dis)junções circunstanciais e que está muito para lá de uma porta bem fechada, essa sim, por nossas intervenções deliberadas, ainda que, em momentos diferentes...]
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Fotos de uma noite diferente