.
.Vim corrida pela chuva, de uma caminhada a pé, pelas imediações.
Nada de especial para ver, num dia cinzento, frio e húmido: os velhos encostados às paredes dos cafés, sem mesa para jogarem cartas, no jardim do Marquês… os transexuais pouco vestidos e enregelados, que puderam passar a correr, sem ninguém para os acossar… as mães aos berros com as crianças, porque insistiam em sair debaixo de um guarda-chuva demasiado alto para as abrigar… uma prostituta, com um cliente a reboque e um saco de plástico enfiado na cabeça, para não estragar o cabelo acabado de sair do cabeleireiro, ansiosa por entrar numa das muitas portas das hospedarias do Marquês…
.
.Nem me cansei.
[O cansaço sinto-o, agora, sentada e trípede, sem saber como colocar as pernas numa posição cada vez mais habitual, mas inconformada.]Vim devagar, debaixo do guarda-chuva.
Imaginei como seria bom não pensar em nada.
Coisa inconcebível, vendo bem…
[Faltou-me aprender a meditação transcendental, quando praticava Yoga… ou talvez soubesse que não seria tarefa para mim.]
.
.Parei para comprar maçãs. Acabou-se a compota.
Compota de maçã e lâminas de laranja. [Ninguém come laranjas cá em casa, a não ser na compota.] Farei compota, mais tarde.
.
.Devia ter-me afastado daqui. Em vez disso, assisti às oscilações do tempo climático, arrumei documentação em dossiers, descobri que muitos sítios onde precisava de ir estiveram fechados, até ontem.
Dediquei-me ao estudo do X-File da avaliação de docentes, com as conclusões dos grupos de trabalho da minha Escola. Pensava que ia ler coisa melhor… paciência. [Não é num interregno, de alguns dias, que nos pedem sugestões por escrito, até 1 de Abril, só pode ser mentira! Trabalharam quase dois meses para sair isto… quem sou eu para sugerir modificações de fundo? Já decidi que não vou perder tempo com tal assunto. Daqui a dois anos, estarei noutra escola e ninguém me ouviu quanto ao que me espera. E a verdade é que estes deram o seu melhor - e os outros espero que sim - e que cada escola anda à deriva, a tentar trabalhar um documento original desconforme e sem comentários!]
.
.
Não tratei de nada fora de casa, a não ser pagar uma acção de formação, supostamente gratuita, no último dia. Mais um compromisso semanal até às 21:30…
Os exames médicos, que fiz em Janeiro, aguardavam um médico para os avaliar, agora.
Faltou-me o tempo, nas últimas semanas, para constatar que foram de férias… [Em finais de Junho, tudo o que fiz estará fora de prazo.]
.
.
Assim, sobram-me poucos dias, para lá dos úteis, para preparar as actividades lectivas do último período. Aqui ficarei, tão parada quanto este tronco de árvore, a inventar planos de aula e, já agora, mais umas grelhas de observação e registo [e outras artificialidades, inspirada na análise apurada do X-File], diferentes das que já utilizava, a pensar no portfólio do próximo ano, em que irei ser avaliada…
.Vim corrida pela chuva, de uma caminhada a pé, pelas imediações.
Nada de especial para ver, num dia cinzento, frio e húmido: os velhos encostados às paredes dos cafés, sem mesa para jogarem cartas, no jardim do Marquês… os transexuais pouco vestidos e enregelados, que puderam passar a correr, sem ninguém para os acossar… as mães aos berros com as crianças, porque insistiam em sair debaixo de um guarda-chuva demasiado alto para as abrigar… uma prostituta, com um cliente a reboque e um saco de plástico enfiado na cabeça, para não estragar o cabelo acabado de sair do cabeleireiro, ansiosa por entrar numa das muitas portas das hospedarias do Marquês…
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.Nem me cansei.
[O cansaço sinto-o, agora, sentada e trípede, sem saber como colocar as pernas numa posição cada vez mais habitual, mas inconformada.]Vim devagar, debaixo do guarda-chuva.
Imaginei como seria bom não pensar em nada.
Coisa inconcebível, vendo bem…
[Faltou-me aprender a meditação transcendental, quando praticava Yoga… ou talvez soubesse que não seria tarefa para mim.]
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.Parei para comprar maçãs. Acabou-se a compota.
Compota de maçã e lâminas de laranja. [Ninguém come laranjas cá em casa, a não ser na compota.] Farei compota, mais tarde.
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.Devia ter-me afastado daqui. Em vez disso, assisti às oscilações do tempo climático, arrumei documentação em dossiers, descobri que muitos sítios onde precisava de ir estiveram fechados, até ontem.
Dediquei-me ao estudo do X-File da avaliação de docentes, com as conclusões dos grupos de trabalho da minha Escola. Pensava que ia ler coisa melhor… paciência. [Não é num interregno, de alguns dias, que nos pedem sugestões por escrito, até 1 de Abril, só pode ser mentira! Trabalharam quase dois meses para sair isto… quem sou eu para sugerir modificações de fundo? Já decidi que não vou perder tempo com tal assunto. Daqui a dois anos, estarei noutra escola e ninguém me ouviu quanto ao que me espera. E a verdade é que estes deram o seu melhor - e os outros espero que sim - e que cada escola anda à deriva, a tentar trabalhar um documento original desconforme e sem comentários!]
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Não tratei de nada fora de casa, a não ser pagar uma acção de formação, supostamente gratuita, no último dia. Mais um compromisso semanal até às 21:30…
Os exames médicos, que fiz em Janeiro, aguardavam um médico para os avaliar, agora.
Faltou-me o tempo, nas últimas semanas, para constatar que foram de férias… [Em finais de Junho, tudo o que fiz estará fora de prazo.]
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Assim, sobram-me poucos dias, para lá dos úteis, para preparar as actividades lectivas do último período. Aqui ficarei, tão parada quanto este tronco de árvore, a inventar planos de aula e, já agora, mais umas grelhas de observação e registo [e outras artificialidades, inspirada na análise apurada do X-File], diferentes das que já utilizava, a pensar no portfólio do próximo ano, em que irei ser avaliada…
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Espero não me encher de líquenes fossilizados.
Espero não me esquecer dos alunos e das alunas.
Espero não me esquecer dos alunos e das alunas.
Espero não me esquecer dos amigos.
Espero não me esquecer da família mais próxima e da minha mãe, que visitei ontem [e que já não via desde o Natal… parece estar melhor do que eu!].
Espero não me esquecer da compota.
Espero não me esquecer de mim, já agora.
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Fotos de árvore há muito cortada e descoberta no domingo de Páscoa
Espero não me esquecer da família mais próxima e da minha mãe, que visitei ontem [e que já não via desde o Natal… parece estar melhor do que eu!].
Espero não me esquecer da compota.
Espero não me esquecer de mim, já agora.
.
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Fotos de árvore há muito cortada e descoberta no domingo de Páscoa
linda um ar de:
ResponderEliminarolha: lá para ti, acredito que tu escrevas quase a cinzento...
mas sabes?
eu leio-te cheia de cor...
a sério...para quem tem tanto dentro de si...pode ser difícil aguentar a realidade "real", mas dá aos outros uma possibilidade fantástica de perceber e viver coisas bonitas...
Beijo
espero que as tuas meias "zebradas" façam o milagre de que precisas...
ResponderEliminartexto "diabolicamente" bem escrito!
adorei.
Querida Maria do Sol,
ResponderEliminarEscrevo mais do que devia, vendo bem.
Queixo-me da falta de tempo e continuo, compulsivamente, a escrever... em todo o tipo de "superfícies".
Deve ser algum desdobramento de personalidade, quem sabe?
E não funciona com o gravador que me ofereceram, porque não se trata de conversar comigo...
Ainda bem que lês o sol!...
[BEIJO]
Herético amigo,
ResponderEliminarAs meias às riscas horizontais, percebo agora, não serão mero pormenor [apesar de as ter escolhido porque não apertam os tornozelos e são muito cómodas...]!
Por acaso, domingo de Páscoa, resolveram enrolar-se dentro das sapatilhas e magoar-me, unicamente, o pé esquerdo [não o direito!].
Nunca tal tinha acontecido! Coisa do demo, claramente!
Quem me autorizou a mandar dar uma volta à santidade do dia? E quem me mandou ir dar uma volta ao quarteirão?
Vai daí, troquei as voltas ao assunto.
Descalcei-me, no meio da rua e troquei a meia direita pela meia esquerda!...
Pequeno acto de magia, ou feitiçaria, nem sei... O que sei é que as meias, com as "riscas do diabo", deixaram de me incomodar de vez e ainda caminhei mais meia hora!...
[BEIJO...:)]
Olá, linda!
ResponderEliminarGostava de ver toda essa papelada da avaliação. Ando a leste... Não esqueço os amigos nem a família. Quanto aos alunos e alunas, quero mesmo esquecer... Lembro-os ao preparar as aulas a nas ditas...
Beijinho e um bom recomeço
Quanto ao X-File Avaliação de Docentes, só te posso confirmar que não andas "a leste do paraíso"!...
ResponderEliminarÉs menina para ainda ter que propor objectivos individuais para o próximo ano e, quiçá, seres avaliada... por isso, mais vale perderes um tempito a ler a "coisa"...
Com calma, claro...
[BEIJO]
não esquecerás nada...
ResponderEliminareu às vezes, no entanto, quero sem dúvida, esquecer tudo.
farto-me de ser assertiva, quase bem comportada!!...
fazer das laranjas compota, saber que a nossa mãe estará ali tão capaz...
sei que é bom ter uma pedra no sapato,
um pé sendo tão elementarmente in.esquecível...
não sei bem nem mal sei.
mas és que és e eu sou...
beijO de regresso duvidoso...:)
Olá Sra. Professora.
ResponderEliminarAs árvores morrem de pé , faz pensar.
O comodismo que nós queremos durante a vida, e não nos lembramos das nossas queridas árvores que são tão sábias e que nascem, vivem, e morrem de pé.
( só pelo título já fez pensar )
Fez uma descrição natural da sua área, muito sincera pelo que vejo.
Falou das avaliações, portfólios...
As aulas estão mesmo perto, quer para os alunos quer para os professores, o que nem todos se lembram, pois sei que os professores têm muito trabalho nas ditas "férias".
Gostei bastante, como sempre álias.
Beijinhos
Querida Marta,
ResponderEliminarTenho pena de não poder escrever:
- Então, até segunda-feira!...
Faria uma enorme diferença.
[BEIJO, onde quer que estejas nesse dia...]
Un Dress...
ResponderEliminarLá fiz a compota
...maçã e laranja
laminada...
Desapareceu
o mais pequeno
frasco
de vidro
verde claro
alaranjado
vorazmente
[e não fui eu].
Regresso
diariamente
às tuas palavras
aos teus puzzles
...de sentidos
muitos
...de muitos
sentires
...muito
pouco
duvidosos.
Há mais frascos
de vidro
repletos
da compota
que fiz... mais tarde.
E...mais tarde
regressarás
tu_vestida
com palavras
verde claro
alaranjado...
...de todas as cores
que não cabem
em frascos
de vidro
porque transbordam...
assim, como tu!
[BEIJO]
Olá .
ResponderEliminarNão entendi o seu comentário... :S
Marta,
ResponderEliminarO que eu queria dizer, por outras palavras, é que a maior parte dos meus alunos e alunas tem a tua idade.
No entanto, não têm o teu espírito crítico e, raramente, se colocam do outro lado. [As aulas talvez não permitam esse exercício, também... e cada vez menos].
Curiosamente, estes espaços virtuais permitem-nos, às duas, uma experiência diferente.
Mas que tu és especial, és... sem paternalismos [neste caso, "maternalismos"...].
[BEIJO]
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminaros teus actos de magia costumam resultar. ainda bem. de facto, diz-se que o diabo é dado a "trocas e baldrocas".
ResponderEliminarimagino o que seria se, por alguma "diabrura" mal esconjurada,as riscas (das meias) se transformam-se em serpente e "subissem" por aí ... por aí acima... rsss
Em tempo : teríamos então riscas em diagonal?!...
ResponderEliminarﻷღﻷ Pequeno....
ResponderEliminarﻷღﻷ Simples....
ﻷღﻷ e importante.....
ﻷღﻷ Grande como o amor.....
ﻷღﻷ Pequeno como a distância.......
ﻷღﻷ Simples como eu.....
ﻷღﻷ Importante como *VOCÊ*..
----o@@@@@@------ -----@@@@@@!
-o@@@@!!!!!;;;@-------@................::;!@
“O@@!!!!!!!;;;;;;;;@---@.................:;;;;;;!@
@@@!!!!!!!;;;;;;:::.@@.................:;;;;;;;;;!@
@@!!!!!!!!!;;:::::............................;;;;;;;;;;!@
@@@!!!!!;::::......Os amigos............;;;;;;;;!@
-@@!!!!;;:::::....são a melhor ..............;;:;!@
--@@!!:;;:::::::: coisa..........................;;!@
----@!!!!;::::::::... Q Deus fez................@
------!!!!!;:::::::::...............................@
--------!!!;:::::::::::.........................@Por isso
-----------!!!;;:::::::::..................@Valorizo
--------------:::::::::::..............@Os que eu tenho...
------------------::::::::.......@Isso inclui Você!!!
Ainda há muito boa gente neste mundo, mas há muita dificuldade em nos colocarmos no lugar dos outros, e isso vê-se quando se liga a TV.
ResponderEliminarBeijinhos
Pois, se viste o que eu vi... só posso concordar contigo.
ResponderEliminarE imagino que sim. Pois mudas de canal e não se fala de outra coisa. Quase não apetece regressar...
Agora, é o tempo da culpa, da punição e do castigo!
Dantes, atiravam-se pedras...
Mas de quem é a culpa? Não me parece tão simples, assim.
E felizmente os alunos vão pagar pelo que fizeram, pois eu não entendo como é que uma professora, que para mim é sinónimo de autoridade, pode deixar de ter tanta quanto tinha antes.
ResponderEliminarJá vi professores meus a tirarem telemóveis e pensei o seguinte :"Um professor prepara a sua aula para depois terminar devido a uma sms?".
Mas o problema infelizmente não é só esse, e se eu enquanto aluna os vejo, imagino os professores, é necessária coragem para encarar algumas situações, e ainda mais auto-controlo.