sábado, 17 de maio de 2008

Outros balanços para um sábado...


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Hoje, espera-me um sábado, no [desas]sossego da solidão, muito propenso a novos balanços.
Não fosse ter acordado com uma imensa dor de cabeça [que o analgésico talvez resolva] e, quem sabe, o dia poderia ser produtivo, isto é, poderia aproveitar para trabalhar e trabalhar e trabalhar…
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No entanto, de quinta para sexta, pouco dormi.
Sexta-feira, tinha um assunto urgente para resolver no local de trabalho, daqueles que perturbam demais… Havia que convencer altas instâncias de que o mesmo não podia ser resolvido de qualquer forma [e doa a quem doer], por envolver questões pessoais, que não eram minhas mas, de uma aluna e de uma coisa que, de família, só tem a designação.
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Parece que tivemos sorte, a aluna e eu. Convenci. Mas custou-me uma noite de sono e um dia a cambalear de cansaço, para além das diligências que terei que fazer, antes que o ano lectivo termine, utilizando o que não sei se ainda tenho: o meu best judgement.
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Precisava de ter tido mais tempo para pensar melhor e não tive… para alinhavar um discurso persuasivo q.b.. [No entanto, parece que o improviso funcionou e é o que interessa, embora, em assuntos alheios, não goste de confiar nesta estratégia desalinhada, acrescida de um cansaço profundo… E, quem sabe, não terá sido esse meu mal-estar que ajudou a persuadir... já que é impossível disfarçá-lo, de facto.]
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Pela primeira vez, dou-me conta do que significa este ficar em casa sozinha, não poder participar em acontecimentos que, dantes, eram habituais e que eram uma parte importante da minha vida [embora também fossem trabalho, de outra forma]. Também preenchiam alguns pequenos vazios
Agora, os vazios são muito maiores e lembram a aproximação de grandes buracos negros, apesar de o meu tempo estar cada vez mais cheio de compromissos inadiáveis. A agenda não chega para incluir tudo o que há para fazer!... Disperso por outras folhas e post-its, colados em tudo quanto é sítio…
Assim, vou-me esquecendo de alguns, apesar de tanto lembrete! [E fica uma sensação de quase incompetência, de pouco controlo sobre o que faço e o que penso...]
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Continuo a aproveitar as viagens para tentar ordenar ideias [para não adormecer, também]. Ouço as notícias na RFM, porque já não vejo noticiários.
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.Quinta-feira, no regresso, dei-me conta de que começava a ouvir a música do genérico do Oceano Pacífico. Olhei para o relógio do carro – 22:00 horas!
[Uma lágrima patética e depois outra…]
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O meu filho fazia 22 anos.
Ainda tive que jantar fora de casa, por assuntos que não serão mais meus, também, como os de hoje.
Ao dar-me conta do meu cansaço… da distância destes outros assuntos… de que tinha que acordar às 6:10 da manhã, com outros problemas para resolver [só meus, pelos vistos, porque – dás demasiada importância.!... – envolves-te demais!] … a ver as horas passarem… o meu filho em casa, depois de chegar das aulas… a meia-noite e meia... acho que percebi que alguma coisa importante acabou!
Assim, parece-me mais sensato não ir, não estar, deixar de querer fazer o que não posso.
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Talvez me envolva demais. Talvez dê demasiada importância. Talvez
Pode ser que aqueles que são importantes para mim mas, que não estão a maior parte dos dias comigo, sintam que é legítimo pensar assim.
Mas, o que parece ser uma certeza é que não estão comigo [nem teriam que estar, obviamente], para poderem entender o significado das minhas horas quotidianas e rotineiras e sem interesse, que são o meu trabalho, para o melhor e para o pior…
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De facto, como explicar o imenso desgaste a tentar gerir conflitos, multiplicados por dezenas de Outros não tão significativos [mas, também, significativos...]?
Ao mesmo tempo, há que tentar dar aulas e cumprir outras tarefas, com horários insanos, a ver a insanidade geral a começar a instalar-se [e, por isso mesmo, ali não estou sozinha…].
E, ainda, ter que exibir um semblante que inspire uma confiança que não passa de um bluff mas, que é necessária!...
Afinal? Onde começo eu e sou eu? Disperso-me por duas cidades!...
Apenas sei onde durmo e onde acordo… mas, por muito pouco tempo, mal me reconhecendo ao espelho...
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[O analgésico funcionou mas, deixou-me num estado de torpor, que não anuncia grande actividade intelectual ou física, para hoje… apenas um sono mórbido, prenúncio de enxaqueca anunciada, para daqui a uns dias… ou menos. Paciência.]
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Foto retirada da net e modificada, imagem distorcida de um jarro ao espelho