sábado, 12 de abril de 2008

Da flor dos Káktos e da "flor dos dias"...

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Porque os Káktos
se deixam ver
para além dos espinhos...
Porque há flores de um vermelho
carnudo, carnal,
de sangue e sanguíneo,
que os rompe
e faz explodir
em cor,
eu preciso lembrar...
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Porque... o vermelho não é a minha cor preferida. Nunca foi. Talvez nunca seja.
[E não será por lembrar sangue, certamente.]
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Rapidamente, fui em socorro de muitos golpes feios e sangrantes [que não eram meus...].
Já vi feridas repulsivas [de tão carnais e profundas] e não se me esquivou o olhar.
Páro, quando vejo um acidente na estrada e não está ninguém por perto. Não penso duas vezes, se for preciso mergulhar as mãos no vermelho vivo e gorgolejante, se assim for necessário e me indicarem como o devo fazer [embora as mãos me possam tremer].
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Não associo a morte a esta cor.
Era ela que faltava aos mortos de quem me despedi... [sempre].
Mais depressa a identifico com vida, que ainda pode ser salva, adiada...
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Não me custaria dar sangue, se tivesse o peso conforme à altura... [que não tenho].
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Mas não como carne vermelha...
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[Nunca vesti uma peça de roupa vermelha, assim, da cor da Flor-de-Maio]
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Flor-de-maio, foto de cacto retirada da net e modificada