quarta-feira, 23 de abril de 2008

Quarta-feira em tons de Azul



Não pensava chegar, assim, de uma quarta-feira em que quebrei a rotina do trabalho de escrava [qual copista, dos tempos que correm, sentada em frente ao PC a escrevinhar em tudo quanto é software] e ainda conseguir fazer o post deste dia da semana.
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Resolvi escaqueirá-la, um pouco mais, guardar os trabalhos dos alunos para mais tarde e sentar-me, no sítio do costume, para lhe dar outra utilidade.
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O que tenho para escrever não é quase nada, porque conversei o quanto baste.
Resolvi ir ao encontro da Tinta_Azul, da mesma forma como ela própria se desloca – de Metro.
Estava aquela chuva miudinha, que no Marquês torna tudo mais cinzento e o jardim mais despido de gente… [Se há estação de Metro, no Porto, mais feiinha, deve ser esta!... Não lembra nada e facilmente se esquece.]
Antes de entrar nos subterrâneos lúgubres, reparei numa estranha coincidência e não resisti. Fotografei a inversão.
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Alguns estudantes do secundário, vindos dos três externatos das imediações, ajudaram-me a definir o trajecto. Como ando tão pouco de Metro, é sempre uma desesperante novidade. [Por outro lado, nunca fico à espera sozinha, o que não deixa de ser reconfortante.]
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Tive que fazer o transbordo na estação da Trindade, apenas por três paragens [do Marquês, só há continuidade para o Hospital de S. João, que serve, mal, a nova zona universitária. O meu filho que o diga…].
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Como fui cedo, de propósito, para gozar com o tempo e gozar o tempo [que não é bem a mesma coisa…], finalmente, observei bem o painel do Júlio Resende, em homenagem às vendedeiras do problemático Mercado do Bolhão. [Mais uma das implicâncias desta autarquia…, pelo menos, eternizado no mural cerâmico, bem tradicional, com alguns tons de azul mas, predominantemente, cobalto, branco estanhífero e um ar de graça, em amarelo! Homenagem à tradição, pelo menos na parede…]
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Apercebi-me que não passava pela Rua de Santa Catarina há que tempos!... Não me lembrava já da Capela das Almas, em frente à saída do Metro [vá lá, não ficou mal de todo…] e continuava a chuviscar, de vez em quando.
Onde está o bom tempo prometido?
As comemorações do 25 de Abril vão ser à chuva e ao vento? Mau presságio…
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Entrei em algumas lojas, mesmo só, para matar o tempo. Até me apeteceu comprar calçado de Verão. E comprei. [Numa loja para homens… que eu acho sempre mais interessantes e menos distractivas do que as de senhora. Nestas alturas, penso que sorte a minha, em ser enorme e poder calçar os números mais pequenos, que os homens do meu tamanho nem calçam!...].
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Encontro à saída do Metro no tempo certo.
Soube-me bem revê-LA, assim, sem grandes alterações aparentes, para além do cansaço, que não se disfarça, nem se tenta!...
Conversámos muito e pouco. Nunca se põe a conversa em dia.
Até falámos das mães!...
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Senti saudades da antiga vizinhança de gabinetes e de como sabia bem interromper, para fumar um cigarro, mesmo que fosse para conversar de trabalho, mesmo que fosse para nos rirmos, de pequenas desgraças rotineiras, fazer divergir o pensamento e trocar ideias sobre tarefas diferentes, mas complementares. [A informação circulava e o trabalho rendia mais.]
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Mas os dias de ontem são passados e hoje, nada seria igual. Para mim, seria insuportável, mesmo.
Depois, porque nos queremos bem, encontrámos formas de proximidade outras, que nos fazem despedir com um até logo [insolitamente e no meio de conhecidos, que sempre aparecem, porque o Porto é uma cidade tão pequena…], que nos poupa a lágrima no canto do olho… Porque é um até logo!
Então, para celebrar este encontro, ao vivo e a cores com a Tinta_Azul, o céu despiu-se de nuvens e o sol apareceu. Tal e qual! Céu azul…
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No regresso, tive direito a dois fiscais de linha, a mais dois polícias, que me voltaram a indicar o caminho, antes que perguntassem fosse o que fosse… [Em três paragens, com um transbordo, acho que foi suficiente.]Não houve ocorrências a registar e, ainda bem, porque num dia em que decidi gozar com o tempo e, até, matar o tempo, quem sabe, não seria acusada de alguma kafkiana transgressão?...
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.No regresso a casa, a pé e carregada, do que fui despindo e do que comprei, descobri por entre as grades do palacete, que tanto me intriga, um tufo de rosas vermelhas [antes fossem cravos, mas eram o que eram e fotografei-as, como pude, sem pousar as tralhas…].
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Uns passos mais à frente e lá estava a laranjeira, carregada de laranjas, que apodrecem de maduras quando caiem no passeio.
VermelhoLaranjaAzul!
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[Colorido, sim. Até os pratos do almoço eram um festival de cores. No entanto, nas nossas roupas, predominava o negro… que eu reparei. Disfarçado. Mas negro.]
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Fotos de um tempo dedicado à Tinta Azul