sábado, 23 de fevereiro de 2008

O Sagrado na urbanidade


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Segurem o Cristo, para que não tombe sobre os homens!... Diz a Igreja, na ânsia de tanto os proteger, ou vigiar...?...
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Deve ser diferente ver esta cúpula de frente.
No entanto, todos os dias, é assim que eu a vejo...
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Achei bonita a coloração dos vidros e apeteceu-me fotografá-la.
Andei meses a pensar se não estaria em obras... E fui esperando que terminassem.
Quem sabe, não andariam a recuperar a imagem do cristo? [A lavá-la dos detritos das pombas e dos ataques das gaivotas... a permitir o regresso da sua brancura originária e primordial?]
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Mas não. Passaram os meses e a estrutura [suponho que de metal pintado de claro] ali continua, horrenda. Mas necessária, realmente.
O cristo desafia as leis da gravidade, de forma tão ostensiva, que precisa desta intervenção dos homens para parecer ter uma posição estável. [Pergunto-me se não haveria outra forma de resolver o assunto. A humildade de um cristo, que se debruça, para abraçar os seus crentes e descrentes, é paga pelos homens desta forma apressada e impensada!...]
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Esperei que as ditas obras terminassem, para fotografar a cúpula [com bastante zoom, diga-se...].
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Até que percebi que não eram obras: era assim. É assim!
Definitivamente, a estrutura metálica faz parte da arquitectura do edifício, impedindo que o santíssimo tombe sobre o povoado!...
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Não é um cristo na cruz. É um cristo com os braços abertos para a urbe!
Não é um cristo crucificado, mas ressuscitado à custa de um mastro que lhe sustenta as costas para se manter numa posição impossível [para os homens, obviamente...].
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Já impaciente, porque de obras não se tratava, aproveitei um destes últimos dias e fotografei a cúpula, finalmente...
Quando olhei para ela, achei a ideia de vamos segurar o cristo para não cair ainda mais visível do que o mastro e os seus apêndices laterais.
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E pensei no sentido da metáfora...
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Uma coisa parece certa. É feio e descuidado.
Mas o cristo não tombará, quer venham tempestades e ventos e chuvas torrenciais.
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[Curiosamente, só eu reparo na estrutura de ferro pintado. Os locais não a vêem. Mas quem a pagou, sabe que lá está!]
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Foto da Igreja do Sagrado Coração de Jesus