sábado, 9 de fevereiro de 2008

Os dias que correm...



Consegui acordar, relativamente cedo, tomei o pequeno-almoço sem esquecer o anti-histamínico, por causa da constipação mal curada, tomei banho e enfiei no nariz carradas de soro fisiológico. Tive tempo para arrumar o saco, que não aprontei de véspera.
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O dia até que estava a correr bem.
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Comi uma sopa à pressa, ainda antes do meio-dia, quase em cima do pequeno-almoço, porque a tarde ia ser longa, [e porque tenho que contar com o tempo que dura a viagem, fora os imprevistos, que também acontecem], deu para comer um pão com fiambre e queijo e fazer um lanche para levar.
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O dia estava a correr bem.
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Tive tempo para estacionar o carro no parque e fumar um cigarro, cá fora, debaixo do pinheiro do costume [vou ter que escolher outro sítio: as pequenas pinhas estão quase a explodir em pólen e eu sou alérgica a gramíneas].
Tocou para entrar. Entreguei os testes. Poucos tinham sido os alunos que fizeram o trabalho de “férias” de Carnaval. Estavam deveras agitados. Decorria um intercâmbio desportivo com uma escola do centro…
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O dia estava a correr bem.
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As duas horas soltas no horário foram utilizadas para resolver assuntos de somenos importância e recolher papelada para preencher.
Deu para fumar outro cigarro, cá fora, a passear pelo jardim [o tempo era de sol, sol de Inverno…].
.O dia estava a correr bem.
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Mais a última aula da tarde, com entrega de testes, mais alunos ansiosos por participar no intercâmbio desportivo, ou só para marcarem presença e assistirem. Mais queixas à directora de turma [que sou eu e, disso, também não me posso esquecer...], mais insistências para saírem mais cedo e lá os acompanhei.
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O dia até estava a correr bem.
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A minha constipação começou a ressentir-se, do entra e sai e das salas sobreaquecidas.
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O dia estava a correr bem.
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Mais uma hora a tratar dos assuntos da direcção de turma: tira faltas, anota faltas no programa informático, justifica faltas, verifica faltas, tira o quadro de faltas mensal…
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E o dia, que até estava a correr bem, era noite cerrada!
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Meti-me no carro. Os efeitos do anti-histamínico começaram a fazer-se sentir. Não estava a conduzir o meu carro […]. Estava a manipular os comandos da consola da PlayStation do meu filho [memória de há alguns anos, revisitada…], com luzes de faróis por todo o lado, ultrapassa este, encosta à direita, retrovisor, ultrapassa o próximo. Alto! Risco contínuo e um louco atrás de mim. Acaba o risco contínuo, retrovisor, encosta à direita, volta a ultrapassar, passa à faixa esquerda, controla o conta-quilómetros, olha para o conta-rotações, retrovisor…
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A noite estava a ficar bem estranha e o dia até nem correu mal.
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Porto à vista!... Adrenalina a baixar, batimentos cardíacos a normalizar, ouço a música do rádio, finalmente…
Estou quase a chegar ao centro da cidade, vira no sentido do Marquês. Adeus PlayStation... As pálpebras pesam... Arranjei lugar para o carro. Entro em casa. Pouso os sacos e a mochila.
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Um dia que correu bem…
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[O que será um dia que corre bem?]
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Foto de pinheiro manso e palavras de quinta-feira à noite, um dia que correu bem