quinta-feira, 3 de julho de 2008

Breve intervalo no interregno...


Porque sei que te sentes encostada à bagagem da cidade, tão só.

Porque sei que a tua pele, a descoberto, não arrefece o abrigo onde lentamente padeces de solidão.

Assim, ofereço-te esta meia dúzia de prumos, duas finas folhas de dedos para fazeres com elas, um íntimo diário.

Agora, começa a anotar, o que amanhã docemente apagarás...
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"Uma legenda minimalista", de Bruno Silva

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Hoje fiquei por casa, a trabalhar. São tarefas que exigem espalhar tudo, para tudo agregar. Relatórios finais. Documentos para separar e conferir. Alguma ordem no caos [espero que, este último, seja aparente].
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Resolvi aceitar esta dádiva do autor da foto. Infelizmente, não escreverei para, docemente apagar, porque não se trata de um diário íntimo.
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O cenário minimalista da imagem apelaria para outras escritas. Paciência. O dia também está cinzento, num mês de Julho que prometeria outras cores. Aproveito a calma da tonalidade, para ir riscando mais umas etapas. Faço vistos em cada uma que finaliza. Outras se seguem. Nada parece acabar.
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[Os dias de férias continuam a ser um cenário longínquo, embora o tempo passe.]
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Bruno Silva, Foto de www.olhares.com