sexta-feira, 25 de julho de 2008

Narcisos são flores de que não gosto...


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Os narcisos têm um cheiro que me lembra câmaras e ante-camâras de velórios.
Nunca gostei destas flores... Não lhes reconheço perfume, nem encanto.
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São enjoativas, como as dores do corpo. Assinalam bem a morte: como a sua metáfora.
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Hoje, há sinais de chuva, num Verão que não prometia nada...
Esta manhã, que termina, podia ser mais uma tarde de Janeiro [não fosse este ar abafado, que permaneceu no interior das casas].
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O que se faz numa tarde de Janeiro, em férias de um suposto Verão? O que se faz quando o corpo dói em cada pequena articulação e só apetece agarrá-lo, qual Narciso [finalmente, desenganado...] e esperar que passe?
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[Se fosse mais velha e não me chamasse pelo meu nome, estaria sentada no sofá, a fazer crochet? ... ?]
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Foto de um corpo só
cedida por João Carqueijeiro